Há pouco mais de um mês recebi um e-mail da repórter Ciça Valério, do Jornal O Estado de São Paulo, convidando-me para uma entrevista sobre o meu blog. Imediatamente respondi, aceitando o convite. Dias depois, ela me ligou e fez a entrevista, que mais pareceu um bate-papo informal. Ela é uma pessoa muito simpática e cativante. Fez-me várias perguntas acerca de o porquê da página, como tudo começou, quais são os temas que eu mais gosto de abordar, como funciona a consultoria, enfim, ficou a par do que é o Afrodite e qual a minha real intenção em manter uma página de comportamento.
Hoje, para a minha alegria, a entrevista foi publicada no Suplemento Feminino, um caderno que trata de assuntos relevantes às mulheres, desde moda e comportamento, até dicas de cultura e conhecimento. Fazem parte da entrevista outros quatro blogs que, igualmente ao Afrodite, são escritos por mulheres que têm as mesmas aspirações e perspectivas no que se refere ao propósito de interagir virtualmente com o maior número de pessoas interessadas em assuntos relevantes ao universo feminino em todas as suas instâncias.
A publicação foi feita sob o título Assunto de Mulher, e a parte que cabe ao Afrodite está aí abaixo.
Sexo e amor são temas de blogueiras, que apostam em conteúdo informativo e ao mesmo tempo picante
São Paulo - Esqueça os sites de sexo barra-pesada que circulam na internet. Não têm nada a ver com alguns endereços virtuais, criados por mulheres, que falam sobre sexualidade e relacionamento amoroso sem cair na pornografia barata nem no piegas. Porém, sem deixar de lado o erotismo e a pitada de ousadia. O objetivo, segundo elas, é mostrar novidades, tirar dúvidas ou apenas divertir internautas.
"Só escrevo sobre temas que domino e tenho muito cuidado com a grafia, para não cometer erros que desqualifiquem o conteúdo. Afinal, sou professora de português dos ensinos médio e fundamental", avisa a catarinense Luciana Penteado, de 41 anos. "Não uso gírias nem palavrões, embora escreva de maneira descontraída." Ela é a mentora do Afrodite para Maiores, blog de consultoria sentimental e sexual, que também trata de comportamento feminino.
Dicas e fórmulas para apimentar a relação, ou para conseguir um marido, ficam de fora do seu blog. Tampouco entram temas polêmicos, que envolvam práticas sexuais. Luciana prefere discutir questões mais amplas, para provocar reflexão. Na sua enorme lista de temas, tem de tudo um pouco: amor, traição, dor de cotovelo, feminismo, homem, tesão, entre outros assuntos.
De tanto pesquisar, escrever os textos e responder aos e-mails que recebe, Luciana acaba refletindo sobre questões pessoais. "Na verdade, esse trabalho é minha terapia", diz. "Os textos que escrevi sobre a rotina e monotonia do casamento, por exemplo, me ajudaram muito a lidar com a mesma situação que vivia com meu marido."
É gratificante ver mais uma vez o Afrodite para Maiores na mídia impressa, o que reforça o meu objetivo inicial de levar os leitores a refletirem sobre os diversos temas que nutrem o nosso dia-a-dia. O feedback tem sido compensador! Estou muito feliz pela ótima aceitação aos meus textos, não só pelos meus amigos blogueiros, mas também por quem assina o feed do blog e pelos leitores casuais que participam nos comentários ou via e-mail. Sinta-se sempre bem-vindo nesta página, participe, sugira, dê a sua opinião. Que ambos, eu e você, tenhamos espontaneidade para interagir, sutileza para argumentar e boas ideias para cativar.
Esta é a lista de sites recomendados pelo Estadão.
Muito se fala por aí que as mulheres preferem “os cafas”. É tudo uma questão de interpretação. Na verdade, as mulheres preferem os homens de atitude, que sabem o que querem para aquele momento e para os próximos também. É claro que ser romântico é até charmoso, mas na hora em que ela está desejando bem mais do que um sorriso angelical, um buquê de flores ou uma caixa de bombons, você precisa colocar em prática a sua masculinidade a ponto de fazê-la perceber que ela é a mulher que enche os seus olhos e lhe desperta os desejos mais surpreendentes.
Beleza, charme e elegância são pontos importantes, milimetricamente visualizados e analisados por uma mulher, mas bem mais do que isso, ela se sentirá atraída por um homem seguro, que sabe o que quer. Demonstrar isso é crucial para que o relacionamento se desenvolva, ganhe forma e até se solidifique, se for o caso. Quem muito pensa, não age, e quem não age, fica na imaginação do que poderia ter sido e não foi. O que é pior? Arrepender-se pelo que fez ou pelo que deixou de fazer?
Você precisa saber o momento certo de agir, sem rompantes e, em contrapartida, sem medo. Dar um passo à frente é bem melhor do que ficar parado, estagnado, esperando as coisas acontecerem. As mulheres, de um modo geral, aguardam ansiosamente o desenrolar da história para, posteriormente, dar andamento (ou não) ao próximo capítulo. E esse capítulo poderá ser inesquecível, basta ter coragem e determinação. Você precisa torná-lo prazeroso. Envolvê-la, cercá-la, surpreendê-la! Este é o segredo!
Se você deseja realmente uma mulher, deixe isso transparente. Ela precisa ficar intrigada, curiosa e pensativa. A partir do momento que conseguiu causar-lhe essas sensações, o caminho já está aberto, é só ter um pouco de desenvoltura nas palavras e nos gestos para que ela se sinta encantada com a sua presença. Aliás, a presença é fundamental, e eu não estou falando de aparência física, mas da presença completa: no jeito de olhar, de sorrir, de dar atenção ao que ela diz com espontaneidade e interesse.
Homem que fala mais do que ouve será julgado e condenado por narcisismo ou machismo. Ser dono da verdade soa mal, assim como não ter opinião. O importante é saber o que dizer: poucas palavras podem valer mais do que mil elogios. E por falar em elogios, tudo o que é demais, enjoa - deixe isso para os malas insuportáveis que se derretem em frases prontas e piegas que só servirão para frustrar a possível relação.
Não tenha medo de avançar o sinal quando perceber que já chegou o momento, ouse, olhe-a nos olhos, nunca se submeta somente às vontades dela: faça valer as suas, surpreenda-a sempre com espontaneidade e lembre-se de que “os cafas” nada mais são do que homens de atitude. Então, onde está a sua?
Depois do polêmico e divertido post “As 10 Menos” em que o meu amigo Dogman argumenta sobre as não muito confiáveis sugestões das revistas femininas na hora da cama, a pedido de muitas leitoras do blog, fiz o post “As 10 Menos (para homens)". Convidei dez mulheres (blogueiras e leitoras do Afrodite) para responderem à seguinte pergunta: “o que você não gosta (dele) na cama”? Todas elas deram os seus argumentos. Portanto, rapazes, leiam com atenção o que elas pensam a respeito de certas práticas desenvolvidas entre quatro paredes. Vamos lá?
XÔ, ACOMODADOS! - O que não gosto na cama? Além de homens que ficam nus, com meias, muitas vezes, brancas, não gosto dos acomodados. Sabe aqueles que gostam que a gente faça todo o trabalho sozinha? E que fica lá, deitado, com a gente por cima, na maior moleza? A vontade que tenho é de dizer: energize-se, tome um Red Bull, coma uns amendoins e... mãos à obra! Acho que é só. Para falar a verdade, gosto até das coisas ruins, sexo é bom até sendo mais ou menos, que nem pizza (essa foi braba, né?). Daniela Figueiredo, RS (Mundo Insano)
BONEQUINHAS À PILHA! - Vocês, homens, enxergam o relacionamento de modo tão prático e objetivo que se perdem na convicção de nos interpretar e decodificar o nosso comportamento pensando não cometerem nenhum equívoco, o que não passa de ingênua ilusão! Sim, vocês acreditam, por exemplo, que se sairmos para um encontro com uma roupa decotada significa que queremos transar, e nós nos vestimos assim porque nos sentimos lindas e poderosas. Vocês mal nos conhecem e nos mandam flores achando que vamos achá-los românticos e agarrá-los logo em seguida e se esquecem de criar um jogo de sedução e linguagem que nos envolveria muito mais. Acham ainda que somos bonequinhas à pilha, que basta apertar um botão para fazermos amor. O que queremos é que seja significativo, que façam nosso coração disparar e que tenhamos sinergia.Lívia, MG
É BROCHANTE! - Para mim, duas coisas são PUNK para um homem fazer na cama: a primeira é ir com a cueca velha e puída e aquela meia frouxa embaixo (é brochante); a segunda é transar observando a própria performance no espelho, se achando o "garanhão-macho-dominador-todo-poderoso".Aline Capistrano, RJ, (Confessionário Meu)
FALTA DE ENVOLVIMENTOE RITMO - Gostamos de despi-los, muita hora nessa calma, não tenham medo, vocês são estranhos pelados, mas nós gostamos até da barriguinha de vocês, mesmo que não seja de tanquinho. Nada de tirar a roupa com pressa, apagar a luz e se esconder embaixo do lençol. Uma dica, peças alternadas dela e suas entre beijos e beijos. Ah, e se for amantes, por favor, tire a aliança. Posições diferentes, só se você for contorcionista ou professor de yoga. Não fiquem inventando moda, pois nosso ritmo é diferente, já disseram isso pra vocês? Então, nada de ficar erguendo, virando, agora assim, agora assado, agora vira, de quatro, sentada. Isso nos deixa sem ritmo para gozar, pois vai que estamos chegando ao clímax e você lembra de outra posição? Não merecemos isso, juro!Layara, PR, (Horizonte Lilás)
EXCESSO DE PENTELHOS - Não há nada mais assustador do que nos ajoelharmos para fazer um bola-gato bem caprichado e darmos de cara com o Fidel Castro fumando charuto. Tudo bem que nossos machos não precisam se depilar que nem uma mocinha com piolhos na xereca (e cera quente no saco deve ser pior que a dor do parto), mas uma aparadinha básica, com tesoura mesmo, já ajuda bastante a compor o visual, além de não nos obrigar a usar fio-dental antes da refeição (se é que me entendem) e deixar o “charuto cubano” do parceiro parecendo um pouco maior do que realmente é. Dogwoman, SC
PREVISIBILIDADE! - O que menos gosto: O pacote de preliminares basicão. E as carícias de sempre e muito rápidas. Mulheres gostam de novidades, safadeza nas preliminares, quase um jogo lúdico pra aumentar o tesão. Carolina Sakurá, MG, (Le Poète en Fleur)
PENTEADO DESMOTIVADOR - Esse não é propriamente um defeito sexual, no entanto, pode contribuir para a coisa ficar ainda pior. Homem que reparte o cabelo ao meio ou que usa rabinho de cavalo, não dá para tolerar. O primeiro está deixando claro que, além de cafona, é um quadradão que ainda imita seu pai e seu avô; o segundo quer ser modernoso, mas apenas deixa transparecer que está ficando velho e não sabe lidar com isso. Com esses penteados, ambos provavelmente não vão nem conseguir levar uma mulher para a cama. E caso consigam, não poderão reclamar quando elas caírem na gargalhada.Roberta Ventura, RJ
DESEQUILÍBRIO E FALTA DE ATITUDE - Tem tanta coisa que eu não gosto: ser tratada como vagabunda - ser chamada de puta, cachorra, etc (é brochante); não gosto de apanhar - não faça menção de levantar a mão (já brochei só de pensar); não gosto de sujeira (homem malcheiroso não tem vez); não gosto de passividade total (só quando eu peço). Namorei um que não mexia um músculo. Enfim, não gosto de ser forçada a nada; tudo tem que ser em concordância.Tatinha, BA, (Feia e Pobre)
PRESSA E INEXPERIÊNCIA - Em se tratando de sexo, o mais importante não é quantidade, mas sim qualidade. Ser bom de cama é outra coisa. Gente, há tanta coisa pra se fazer numa cama além de colocar o pênis na vagina. O vuc vuc é bom, mas antes é necessário algumas coisas acontecerem. Depois dele também; as carícias continuam e aí são ainda mais bem-vindas. Outra coisa: ficar procurando o ponto G não faz com que a mulher se excite o bastante para querer dar umas três com ele. O ponto G está bem mais acima: na orelha da mulher. Experimentem dizer que ela é gostosa e outras coisas...Nilda Bandeira, PE, (Bandeiras)
DIVERGÊNCIASEXUAL - Acredito que o momento a dois, na cama, é algo que precisa envolver todos os sentidos, acordar todos os desejos e sintonizar as ações. Tudo o que é desenvolvido de comum acordo será prazeroso. O que um homem não pode ou não deve fazer é preocupar-se em saciar apenas as suas vontades. Nenhuma mulher se sente bem com isso. Ele precisa saber olhar, beijar, cheirar, sentir, tocar, envolver, fazê-la perceber que aquele momento é bem mais do que um simples ato instintivo. Homem que sabe disso, terá o retorno instantâneo da parceira. E tudo será perfeito!Penélope Charmosa, MT
No tocante à sexualidade (a prova aí está) de que a visão feminina é divergente da masculina, tanto física como emocionalmente. O importante, porém, é que exista o mesmo interesse (em dar e receber prazer), em demonstrar ao outro o quanto aqueles momentos de intimidade são significativos para que se mantenha ou aflore toda a cumplicidade possível na relação. Buscar o ápice no ato sexual é o objetivo de ambos, daí a relevância no envolvimento, nos jogos de olhares, no ritmo, nas preliminares, etc. Viver cada experiência como se fosse única e estar 100% presente nela podem ser a chave da satisfação, independente de desempenho ou performance. Tudo é questão de “encaixe”, você não acha?
Mentir, como todos sabemos, vai de encontro aos padrões morais e é considerado “pecado” em alguns seguimentos religiosos. Temos uma visão bastante linear em relação a essa prática, colocando-nos em xeque quando, por impulso ou evasiva, acabamos “cometendo” esse ato nos nossos relacionamentos, que pode acarretar uma série de implicações para o nosso futuro, seja para estremecer a solidez da relação ou para pôr um ponto final naquilo que não tem mais credibilidade.
Eu poderia falar nos vários tipos de mentira que as pessoas costumam cometer nos seus envolvimentos, mas vou me ater à mais simplória delas: a mentira convencional. Fulano chega tarde em casa e, imediatamente, é questionado pela mulher pelo atraso. Ele (para não contar que foi tomar um chopp com os amigos) diz que o carro quebrou, e pronto. Esse tipo de resposta, sem confirmação plausível, incorrerá em desconfiança que, numa segunda oportunidade, poderá ser o foco principal de um conflito.
Mentimos porque precisamos, por questão de ponto de vista, por omissão, covardia, receio de não conseguir expor com clareza o que passa pela mente e quais são as expectativas que temos em relação ao que está nos impulsionando a praticar esse ato. Mentimos por não encontrar saída imediata à determinada atitude que, a grosso modo, desassemelha-se dos nossos procedimentos habituais. Mentimos ainda, por incongruência entre realidade e utopia, ou seja, simultaneamente, criamos dois espaços paralelos onde um é incompatível com o outro, tornando-se necessária a transgressão. Mentimos até para nós mesmos ao acreditar que o parceiro só tem olhos para nós.
A necessidade de mentir (numa relação amorosa) se dá por uma falha de comunicação. Em algum momento estamos pecando em palavras ou gestos o que queremos traduzir. Não, não me diga que quem ama não tem necessidade de mentir. Chegará o dia em que sentiremos gosto por flertar com a liberdade, com o autoconhecimento, com o nosso eu que clama por individualidade ou até mesmo para encontrar respostas a anseios que passam apenas pela nossa mente, não do parceiro. Fato é que pensamentos e preferências são coisas exclusivas de cada ser humano e, salvo raras exceções, convergir em 100% essas peculiaridades é praticamente impossível.
Para se descobrir que alguém mentiu ou anda mentindo é necessário um bom tempo de observação a fim de concluir em que pontos o comportamento está divergente do caráter ou da personalidade desse indivíduo. Uma vez comprovada a versão dos fatos, é hora de esclarecê-la ou esquecê-la. Sim, pois há verdades que não cabem à nossa realidade. É preciso, então, guardá-las apenas na memória, ignorando os possíveis danos emocionais e contribuindo para que elas não venham à tona nunca. Seria essa a saída para manter o que pensamos ser o nosso prognóstico de vida?
Experimente fazer um teste contando à sua esposa sobre o sonho que teve com a amiga dela; comente que encontrou uma ex-namorada do tempo de faculdade e a convidou para um café, descreva, em detalhes, sobre o olhar mais demorado que lança à prima dela sempre que a vê; faça uma pequena lista de defeitos que ela tem e que o irritam profundamente. Ela vai adorar saber! Inclusive, vai ajudá-lo a decifrar todos os pensamentos que passam pela sua mente, sem você mesmo saber por quê.
Todas as omissões que cometemos no dia-a-dia também não deixam de ser uma falsa ilusão de estarmos sendo verdadeiros com o outro. É uma ilusão romântica de que, para continuarmos com o caráter inabalado e o amor em temperatura estável, jamais deveremos mencionar os desejos proibidos, as aspirações individuais e o quanto sonhamos sozinhos, calados, contidos, com catarses interiores que só a nós dizem respeito e fazem sentido. Isso vale também para as meias-verdades e as distorções ocasionais que acabamos desenvolvendo para nos livrar do desconforto inquisitório a que poderemos ser submetidos.
Se vamos ou não adotar essa prática em algum momento da nossa vida, só as circunstâncias poderão dizer. Se a nossa postura diante desse meio ilícito for sempre tida como normal, acredito que tenha chegado a hora de pesar o quanto estamos sendo verdadeiros conosco mantendo em sigilo um lado da nossa história que talvez não mereça ser camuflado. Quando a mentira é imensamente maior do que aquilo que se pode mostrar é porque nos perdemos na condução das nossas expectativas. Se os limites impostos por nós mesmos estão em desacordo com a natureza dos nossos desejos é sinal de que a realidade que estamos vivendo merece ser repensada. E muito!
Acredito que todas as pessoas que criam uma página virtual tem um objetivo específico, seja para interagir, criando laços de amizade ou para expor os seus pensamentos, teorizando, o que, na prática, vivenciam. Com o passar do tempo, elos são formados e consolidados num dinamismo tal que a absorção a esse espaço é inevitável. Integra-se, encaixa-se perfeitamente à realidade de cada um e se torna uma necessidade diária, como qualquer outra atividade que estamos acostumados a desenvolver.
É muito fácil falar sobre sentimentos quando se respira emoção, de comportamento humano quando se é um exímio observador. Mais fácil ainda é florear a realidade em palavras para que pareça, talvez, um pouco mais bonita, de intensidade maior do que na verdade é. Tenho procurado escrever textos que induz o leitor a pensar, que conscientiza, alerta, que o leva a uma conclusão ou até mesmo a um paradoxo, que transparece, sobretudo, o meu pensamento acerca dos temas que exponho.
Porém, percebi que preciso de mais do que isso. Insinuar ou deixar nas entrelinhas, nem sempre reflete a mensagem ideal. Foi por isso que convidei o meu amigo cronista para estrear (no post anterior) esse tipo de texto: mais transparente, ousado, direto. E para a minha satisfação, vi que não estava errada, tanto que “As 10 Menos” bateu o recorde de comentários e levou muitas pessoas a falarem sobre os seus gostos, numa participação mais pessoal e descontraída. Isso sem contar os e-mails recebidos para contrapor a postagem, ou seja, evidenciar o que o sexo feminino pensa a respeito deste tema.
Talvez tudo seja questão de tempo, amadurecimento e evolução. Se percebi que esta foi a hora certa de avançar o sinal, desenroscar-me dos laços subjetivos e aclarar os enredos tal e qual se apresentam no nosso dia-a-dia, não haveria por que hesitar. Este é o momento de começar a escrever sem tantos floreios e disfarces, sem marca-limite, espontaneamente, destoante de simetria e até com bom-humor, afinal, o que seria de nós se considerássemos apenas o lado cinza da vida, não é?
Aproveitando o ensejo de esclarecimentos, convido a todos para visitar o
Meu Outro Blog, que está recheado de textos completamente diferentes dos que apresento aqui, no Afrodite. É um blog de temática ampla, com contos, crônicas, reflexões, prosa-poética e poesias - uma fusão de realidade e ficção, razão e emoção, perfeitamente harmonizadas nas criações de cada estilo. Portanto, quem quiser apreciar a minha outra forma de escrita, em letras divagantes e subjetivas, seja bem-vindo(a)!
PS: O Meu Outro Blog ficará permanentemente linkado aqui, no menu acima.
O post de hoje é para as meninas e está em sentido inverso, ou seja, ao invés de mostrar as 10 Mais para seduzi-lo na cama, a lista de dicas evidencia as 10 Menos, aquelas que, provavelmente, darão errado, surtirão efeito contrário ou a deixarão frustrada por não ter obtido o resultado esperado. Procurei a pessoa ideal para criar esta lista: um homem. Sim, pois ninguém melhor do que eles para teorizar o que, na prática, esperam das suas parceiras na cama. O meu amigo cronista e ex-blogueiro, Alessandro Dogman, não só criou a lista, como também argumentou sobre a ineficácia de cada item citado. Espero que gostem, divirtam-se e aproveitem para pôr, ou melhor, não pôr em prática o que, segundo o autor, pode ser um risco para a sua performance.
Revistas femininas não têm jeito mesmo. Todas elas, ao menos uma vez a cada duas edições, trazem uma lista de dicas e receitas para agradar aos homens, apimentar o relacionamento ou melhorar o desempenho sexual de suas leitoras. Tudo bem, realmente algumas mulheres não sabem o que fazer com um homem na cama e precisam de aulas extracurriculares, mas o que mais me impressiona é que boa parte das recomendações são grandes furadas, capazes de espantar o pobre coitado em vez de atraí-lo. Obviamente, isso acontece porque as publicações femininas consideram todos os homens iguais entre si, o que é um grande equívoco. Então, depois de ler duas páginas inteiras com sessenta e nove dicas para incrementar a sexualidade dos relacionamentos monótonos na sala de espera da minha ginecologista, digo, do meu proctologista, resolvi escolher as dez piores e mostrar a vocês, meninas, o quanto as receitas podem surtir o efeito contrário, sobretudo porque nenhum homem é consultado na hora em que as listas são elaboradas por “especialistas” que, como bem sabemos, manjam de tudo apenas na teoria.
1. Use lingeries diferentes, varie a cor e o modelo.
Cores, tecidos e estampas podem ser brochantes em vez de excitantes. Alguns homens preferem grandes calcinhas de algodão que cobrem a bunda toda ou simplesmente um conjunto tradicional, preto ou branco, de calcinha e sutiã. Pense duas vezes antes de aparecer com uma minúscula tanga de renda vermelha ou, ainda pior, com uma camisolinha transparente estampada de zebrinha ou oncinha.
2. Faça um striptease para ele. Não, não, mil vezes não. Basta que uma mulher tire a própria roupa para satisfazer um homem, não há necessidade da música de cabaré nem da dancinha desengonçada. Um striptease amador terá o mesmo efeito de presenteá-lo com uma “marioska”, aquela bonequinha russa que se abre e carrega outra menor dentro, depois outra, outra e mais outra, até aparecer uma última, bem pequenininha.
3. Explore os banheiros e cantos escuros na balada. Balada não combina com um relacionamento adulto; exibicionismo combina menos ainda. Ficarem se esfregando pelos cantos como dois adolescentes no cio vai apenas constranger as pessoas e não trará nenhuma contribuição à vida sexual do casal. Caso queira surpreendê-lo positivamente, prefira uma rapidinha num lugar discreto ou exercite a arte da felação enquanto ele estiver dirigindo.
4. Comida e sexo combinam, abuse das geléias e do leite condensado.
Onde você viu isso, em Nove e Meia Semanas de Amor ou no clube das mulheres? Essas coisas são melequentas, doces demais e geralmente derretem e escorrem para orifícios nos quais não poderão mais ser consumidas. Na cama, o que não puder ser introduzido em algum lugar é perfeitamente dispensável. Deixe a sobremesa para os intervalos, quando ambos realmente precisarem repor a glicose.
5. Teste posições diferentes, compre um exemplar do Kama-Sutra.
Claro, se você e seu companheiro forem mestres da ioga ou malabaristas de circo. Existem seis posições sexuais (a saber: papai-mamãe, 69, ela por cima, de ladinho, de quatro, de pé) e pronto, as outras são apenas variações sobre o mesmo tema. Além disso, muitas vão provocar câimbra, desvio na coluna ou distensão muscular. Desde o tempo dos nossos avós, simplicidade é sinônimo de eficiência.
6. Alugue um filminho pornô para esquentar o clima. Fêmeas gostam de erotismo; machos preferem pornografia. Como é bastante improvável que você vá pedir ajuda ao atendente da locadora, não se meta com o que não entende. Quando atores e atrizes aparecem sem roupa num filme, não significa que ele seja pornográfico. Mulheres enrubescem com qualquer peito ou bunda de fora; já os homens precisam de genitália exposta para viver. Sacaram?
7. Use cordas e algemas na cama. Esse caso é muito parecido com o do uso do Viagra. Experimentar uma vez para saber como funciona, tudo bem; mas usar o tempo todo, significa que você tem sérios problemas psicológicos. Sadomasoquismo talvez seja excitante na internet e em filmes alternativos, no entanto, no mundo real, pode provocar a maior merda se alguém der um nó-cego na corda ou perder a chave das algemas.
8. Não tenha medo de entrar numa sex shop.
Tenha medo, sim. Existe muita porcaria nessas lojas, além do perigo de encontrarmos nossas mães e irmãs procurando novidades. Desde que seu namorado, marido ou ficante tenha se manifestado sobre o tema, um vibrador e um tubo de gel lubrificante garantem uma noite mais divertida. Fantasias carnavalescas, óleos de massagem e perfumes fedorentos vão somente provocar algumas risadas e muitas alergias.
9. Ponha em prática suas fantasias sexuais. Homens e mulheres têm visões de mundo diferentes. O que parece divertido para um pode ser entediante para o outro. Sendo assim, realize apenas as fantasias de comum acordo, aquelas que já passaram pela cabeça de ambos. Não contrate uma garota de programa nem convide uma amiga para uma noite a três, por exemplo, se até o fim da vida você vai achar que ele sentiu mais tesão por ela.
10. Varie a intensidade da luz, crie um clima sensual e misterioso. Manter o mistério é diferente de cortar o barato completamente. Luz de velas e meia-luz serão interessantes uma vez ou outra, mas é batata que até os gordinhos maldotados gostam de ver o que está acontecendo. Portanto, mesmo que você tenha celulite, esteja acima do peso ou com a depilação atrasada, acenda a luz e deixe seu parceiro enxergar até os lugares em que o sol não brilha.
Quando menos se espera, tudo reverbera. (Hilda Hilst)
E foi ali, em meio aos papéis remexidos na gaveta, embaixo do Sensation, de Rimbaud, que eu encontrei aquele bilhete escrito por você. Em meio a tantas páginas arrancadas da minha agenda, esquecido entre alguns escritos rasurados e amassados das poesias que tentei fazer, um papel tão pequeno, guardado, dobrado em quatro, um pouco envelhecido, mas vivo, tão vivo quanto a sua presença na minha memória.
Sempre chega o dia em que tudo termina. Até os minutos já estavam findos e mesmo que eu tentasse esticar os segundos, aqueles mais pungentes em que não há mais nada a fazer, até esses já estavam extintos, mesmo que eu quisesse reinventar o destino, tudo já estava traçado. Só restou o bilhete que você pôs na minha mão e se afastou devagar, contemplando os meus olhos verdes e úmidos que petrificaram à sua frente. O momento era esse, se houvesse uma chance de impedi-lo que fosse embora. No entanto, eu me calei. Eu sempre me calo nessas horas de angústia.
E foi assim que tudo começou de novo, sem você: dia, noite, lágrimas, pequenos disfarces, alguma resistência inodora em querer manter o seu perfume na minha blusa. E aquela frase na garganta, dilatada, inflamada "preciso-sair-desse-abismo", mesmo que de uma maneira esguia, desengonçada, partindo ao meio as emoções. E como não conseguia dizer nada, fiquei apenas com a lembrança do bilhete na mão e uma sombra que me tortura quando os meus passos estão indecisos, obrigando-me a caminhar mais do que o necessário até ferir os pés.
Então, foi com medo em contrações, desembaraçando aquele pedaço de breu, que entrou um vento pela janela e me trouxe os seus olhos castanhos que há tempo se escondia dentro de mim. Quando foi mesmo que o vi pela última vez? A minha mente estacionou naquela cena, mas eu não me recordo de quantas palavras você disse, talvez duas ou três frases. Parece que faz tanto tempo, muita coisa está turva, até mesmo aquelas que pareceram boas. Já não consigo mais organizar os momentos bons dos maus.
Mas, mesmo assim, consegui estender as lembranças até o fim e passar a ferro todos os possíveis e alcançáveis pedaços dessa história, até os nauseantes e inintendíveis, até os que eu quis verbalizar e me vi com a voz ondulada, rouca, frouxa, salivando angústia e cuspindo a inusitada solidão. Veio na sequência a despedida. Tive culpa ou foi você? Qual foi o erro dessa vez? Se eu não estivesse cansada de tanta dúvida, se os meus pensamentos não estivessem tão transparentes agora, eu tentaria de novo colorir página a página essa história de duas esferas que não se encaixam, mas tinham a cumplicidade das madrugadas pra sonhar.
De tanto abrir e fechar o passado, revolveu uma sequela que ficou em algum canto da minha memória. Você me fez sentir extraordinariamente comum, tanto que perdi a linha que amarra a exatidão no fim do dia, e num complexo gesto pra tentar encontrar a trilha por onde eu deveria pisar, vi-me num caminho enviesado, de tamanha sinuosidade que não sei se segui mais um ou dois passos para, definitivamente, parar e olhar pra trás a tempo de vê-lo dobrar a esquina.
Pena ter sido uma história frágil, de vidro, quebrou-se e não consegui encontrar os cacos – juntá-los, fundi-los, fazer parecer novo de novo. Queria ouvir você falar novamente que eu sou melodramática, por tudo e por nada. E sempre ríamos disso, e eu me lembro das marcas no seu rosto quando ria. Porque você sempre riu tão pouco... Eu gostava do seu sorriso assim natural.
Ah, como eu quis ser forte, como uma coluna de aço que enfrenta frio, chuva, tempestade e se mantém intacta. Será que fui traída pela minha mente ou me deixei levar pelo sorriso frágil e misterioso que você me ofereceu de mão beijada? Talvez eu tivesse conseguido perpetuar alguns momentos e ter sido feliz de verdade se os meus olhos não se voltassem tanto para trás e se mantivessem fechados àquele momento mágico. Mas era tudo intraduzível. Eu sempre quero compreender tudo, abrir, esgaçar, tirar a essência antes de imergir de cabeça nas emoções.
Mas é quando se percebe que tudo está perdido que a dor começa a apertar, massacrando o peito e você pensa que a vida não é justa, pensa em suicídio, em ir embora pra bem longe, tomar remédio pra dormir por dias, pensa ainda em encontrar uma saída pra fugir desse desconforto que causa insônia, mal-estar, desespero, solidão. E no fim das lágrimas, e no fim das contas, tudo se alivia. O meu limite é este, apenas a dor seca, sem mais nada. Mas a saudade, essa eu sinto bem: do abraço, do cheiro, do olhar, do sexo, das gargalhadas que ressoam traduzidas em alegria. Aliás, essa é colorida, doce e suave. Ela tinha todas essas cores no seu rosto.
Fecho a gaveta e mantenho a realidade na mão, silêncio. Depois de tantas tardes alegres, agora o infindável silêncio, esse imenso fantasma que invade a sala e se senta ao meu lado eternizando a minha epígrafe de amores mal resolvidos. Amanhã à tarde vou guardar essa dor, caminhar pela praia e enterrar os meus erros na areia. Talvez tenha sol, calor, talvez essa angústia que me prende agora se perca no mar e me dê outro tom, pode até ser transparente ou branco, desde que seja limpo e brando.
Por trás desse assédio de saudade, da quentura que queima o rosto, da sempre falta de palavras pra abranger os sopros de melancolia, encontrei a resposta que estava guardada na gaveta: eu preciso aprender a amar: um amor sem dor, sem pressa, de um jeito que me tire alguma coisa de dentro pra fora. E se tenho que tocar a ausência que ainda está no porta-retrato, que seja sempre com a leveza da noite e não com o peso do dia.
Obs: hoje senti uma saudade enorme de exercitar a minha veia literária. Eis um conto!
Navegando hoje por aí, encontrei no site MdeMulher um tema interessante que pode perfeitamente já ter sido vivenciado por nós em algum momento das nossas vidas. Ou alguém o esteja vivendo neste momento. O texto “Romance Real, Ameaças Virtuais, de Monique dos Anjos, retrata uma realidade bem próxima de um bom número de pessoas em seus relacionamentos atuais.
Ela fala sobre o perigo de os envolvimentos virtuais afetarem a nossa vida amorosa. Pode haver, sim, uma perda do controle emocional ou físico, e a pessoa se ver amarrada numa trama de difícil solução. Quem já não passou por isso? Somos razão e emoção, isso é fato, dependendo da nossa realidade presente (carência, depressão, monotonia, etc.) poderemos dar vazão exacerbada a quem está do outro lado da tela e esquecermos um pouco o mundo de cá.
Levando em conta todos os aspectos do texto, vou responder a algumas perguntas levantadas nele por pessoas que vivem esse “drama” virtual e que estão na condição de “traído” da história. Se alguém passou ou está passando por uma dessas situações, é o momento ideal para refletir e, quem sabe, encontrar o caminho (ou as respostas) para o seu infortúnio:
1. Descobri a senha do e-mail dele, entrei e encontrei mensagens comprometedoras. O que faço? Se houve a necessidade de se descobrir a senha de e-mail do parceiro é porque algo está fora dos eixos. Nenhum casal em sintonia terá essa curiosidade, pois o respeito à privacidade deve ser considerado o item principal do relacionamento. Uma vez tomada essa atitude, há dois implicadores: como revelar a ele a descoberta das mensagens comprometedoras e como cobrar respostas se nem ela mesma está sendo honesta ao invadir o espaço individual que cabe a cada um na relação? Nesse caso, seria plausível esperar pelos acontecimentos já que não há indício concreto de traição. Fantasias, na maioria das vezes, são inofensivas, e fazem parte da vida de todos nós, independente de sermos comprometidos ou não.
2. Meu namorado está viciado em internet e isto me deixa com ciúmes. Como lido com isso? Ciúmes, até certo ponto, é mais do que natural. Temos certa insegurança quando gostamos muito de alguém, seja de ser abandonado ou de viver um romance a três sem termos conhecimento disso. Porém, o controle emocional precisa estar sempre presente uma vez que cada pessoa pensa e age de modo diferente no seu relacionamento. Estar viciado em internet não é indício de desinteresse, mas serve de alerta para se medir a temperatura atual dessa relação. Dialogar sobre isso é saudável; surtar, não.
3. Os amigos enchem o e-mail dele com fotos de mulher pelada. Como acabo com essa brincadeira? Simples, não há nada para acabar, deixe o rapaz se divertir. Qual é o problema em ver fotos de mulher pelada enviadas pelos amigos? Problema seria se ele estivesse vendo fotos de homem pelado. Se essa atividade (natural aos homens) incomoda tanto uma mulher, a única coisa a fazer é arranjar um namorado (ou marido) extremamente religioso, daqueles que vê pecado em tudo. Problema solucionado!
4. Encontrei, no Orkut do meu noivo, recados de "amigas" do passado. Será que não veem que ele é comprometido? Se no perfil dele constar essa informação é sinal de que essas amigas estão ignorando a seriedade desse compromisso. Na condição de noiva, há total liberdade para um recadinho mais íntimo, que as levem a perceber o estágio desse envolvimento amoroso. Sou contrária à ideia de ficar chafurdando sites de relacionamento em busca do perfil do seu caso amoroso e todas as possíveis mensagens de duplo sentido que lá estarão. E também, nem sempre conhecemos o nível de intimidade do nosso parceiro com as outras pessoas. É preciso cautela para não se enxergar além do que está vendo.
5. Encontrei uma ex na lista de amigos do Orkut do meu namorado. Pior: ele está entre os fãs dela! Tiro satisfação? É claro que não, eu mesma tenho vários fãs homens, no Orkut, e nem por isso meu marido perguntará o que cada um deles representou ou representa atualmente na minha vida. Muito menos tirará satisfação com eles. Existem relacionamentos que terminam, mas a amizade permanece. Ser fã de alguém significa que se tem admiração por essa pessoa. A menos que existam recados transparentes de interesse, não há o que esclarecer. Pequenas demonstrações de carinho são saudáveis e apenas refletem nossa importância para esse alguém.
6. Converso todos os dias no MSN com um ex-caso. Como estou namorando, quero ficar só na paquerinha virtual. É errado? Se existe disposição de ambos para ficarem conversando virtualmente é porque nem tudo foi vivido ainda. Portanto, há risco de essa paquerinha virtual se concretizar em um encontro real. Já houve envolvimento entre os dois e, pelo visto, ainda há resquícios de sentimento, atração ou capricho. É bom saber que existe alguém que nos admira ou nos deseja além do permitido. É uma massagem no ego! Mas é bom também perceber qual a importância dessa relação virtual na vida real. Será mesmo só virtual?
7. Conversei no MSN com um cara casado. Só penso nesse sujeito que nem conheço e não quero destruir meu noivado. Há saída? Imagine conhecê-lo então. Se apenas um contato virtual já fez esse efeito, o que não fará um encontro real? O problema é a idealização do que não se conhece. Fantasia em excesso pode alterar todo o rumo da história que se tem em mãos. Haverá comparação entre a pessoa real e a virtual, e esta não tem defeitos, apenas qualidades. É preciso tomar cuidado para não se perder em ilusões imaginárias e se ver diante de um relacionamento que está só na cabeça, não no coração.
8. Controlo o computador e o celular do meu namorado. Só assim me sinto segura. Estou paranoica? Sim! Completamente paranoica! Não é monitorando, controlando o parceiro que se terá certeza de fidelidade. O prognóstico desse comportamento é uma indisfarçável falta de confiança em si e na pessoa envolvida. Com certeza, a continuidade dessa prática evoluirá para um desgaste na relação. Romances doentes e sensíveis tendem a se extinguir, não por falta de amor, mas por se priorizar um comportamento unilateral. A fórmula é simples: dois pesos e duas medidas! Liberdade e confiança = maturidade.
Não há explicações racionais, filosóficas ou agnósticas para esse tipo de comportamento. O envolvimento virtual pode começar como uma brincadeira e se materializar, evoluindo para um romance verdadeiro. Acredito que isso acontece porque a Internet tem um poder encantatório e tudo se torna mais fácil, ágil e livre. Quando sentimos necessidade de fantasiar, idealizar e concretizar outro relacionamento sendo que já temos um, é porque algo está faltando para completar os nossos anseios presentes. Em contrapartida, "fiscalizar" os passos virtuais do companheiro pode ser um forte indício para a derrocada amorosa. Ninguém gosta de ser vigiado. Ao causador do infortúnio, talvez seja a hora de parar para refletir no quanto essa atitude está prejudicando a sua relação e o quanto está ferindo o seu parceiro ao sabor da sua satisfação pessoal.
PS: Agradeço o carinho manifestado pelas pessoas que entraram para a Comunidade Afrodite para Maiores, bem como, todo o incentivo para que este blog continue em atividade. Estou muito feliz com as palavras recebidas. Obrigada, Lívia, Tatinha, Seth, Virgínia, Luiz Carlos, Cristina, Aurélio, Sandra, Carla, Igor, Rita, Rosy e Everson.
As horas avançam e aqui estamos nós, eu e Morfeu, completamente insones. Apesar de o verdadeiro deus do sono ser Hipnos, o pai de Morfeu, estamos acostumados a cair em seus braços e perder a consciência deleitosamente. Morfeu, por analogia, é o deus dos sonhos, o que significa que está tudo em família. O fato é que, por capricho ou antipatia, eles cismam em me castigar vez ou outra roubando-me o que tem de melhor na vida: dormir e sonhar – efusivamente, relaxadamente, sem hora para acordar, com braços e pernas em total letargia. Segundo afirmam, o sono obedece a um relógio biológico de 24 horas. Uma vez vencido esse prazo, obrigatoriamente, deveremos sentir sono e dormir. Mas nem todas as pessoas conseguem realizar essa prática com facilidade. Hoje, por exemplo, tive um dia cansativo, agitado e, na hora de dormir, valho-me do meu acúmulo de adrenalina e cortisol, entro em alpha e não permito que o meu sonho de consumo apareça: o inefável, o sublime, o etéreo sono de todos os dias.
Lembrei-me, não por acaso, do meu professor de História falando dos deuses gregos. Segundo a mitologia, Morfeu tomava a forma humana da pessoa amada e aparecia em sonho. Isso só seria possível, porém, a quem estivesse dormindo; os desprovidos de sorte como eu, certamente, saboreavam um pesadelo solitário acordados mesmo. Quantos devaneios extravagantes eu já devo ter perdido por causa desses eventuais estados de alerta na madrugada.
Quando me vejo invadida pela insônia, nem o banho relax (com direito a longos minutos embaixo do chuveiro, à ausência completa de pensamentos, músculos em processo de relaxamento) resolve o meu problema. Viro da direita para a esquerda, tento acomodar-me, volto a me revirar, arrumo o travesseiro, rolo mais um pouco até desarrumar tudo, e nada! Viro tanto, que no escuro, até me esqueço de que lado do quarto eu estou.
Obviamente, RAM e REM devem ter espasmos de tanto rir da minha aflição. Então, para passar o tempo, só me resta fantasiar: crio histórias mentalmente, lembro de tudo o que aconteceu durante o dia, repasso as coisas que tenho a fazer no outro, conto carneirinhos, troco figurinhas com Morfeu, penso na vida (minha e alheia), enfim, luto exaustivamente para encontrar aquele que me suspenderá temporariamente da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária. Mas, você já parou para pensar no quanto o sono é mágico? Histórias diversas foram compostas em torno desse exercício inerte. A Bela Adormecida que o diga no seu sono profundo até ser beijada pelo príncipe e acordar para a vida. Branca de Neve também. Oh, God! Se elas soubessem que dormir é tudo de bom, é o desejo de alguns pobres mortais que ralam o dia inteiro e tudo o que querem é o direito de descansar umas horas. Oh, Morfeu envolva-me em seus braços e carregue-me para a sua cama de ébano feita de sonho e fantasia até o dia amanhecer!
O recurso inevitável para esta falta de sono enquanto a noite rola será tirar um cochilo polifásico pela manhã, só com a fase REM mesmo, podendo ser no banheiro, no trânsito ou no trabalho. No meu caso, se não estivesse em férias, seria na sala de aula. Aliás, quando durmo pouco, sinto-me o próprio defunto em sala; estou morta, só esqueci de cair.
Em contrapartida, nada na vida pode ser pior do que engatar no sono monofásico lá pelas três da manhã e ser acordada às seis, em pleno deslumbre onírico (com Morfeu disfarçado na pessoa amada), apenas no primeiro capítulo da sua estada no mundo de lá. A vontade é esganar a criatura que lhe tirou do estágio mais incrível de repouso absoluto. Dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: ocorrem vários processos metabólicos. Quem dorme menos que o necessário reduz consideravelmente o vigor físico, envelhece mais cedo (dá-lhe corretivo anti-olheiras), tem déficit de atenção e apatia, muita apatia. O pior é ficar bocejando o dia inteiro e os colegas do trabalho comentando: - A noite foi boa, hein? Se personificássemos o sono, ainda que por cinco minutos, perceberíamos o quanto ele é cerimonioso, civilizado, praticamente um gentleman. Sim, porque não se pode dormir quando e onde se tem vontade. Um cochilo básico de uns quinze minutos seriam suficientes para reparar uma noite mal dormida. Mas não; existe uma série de implicações: banho, cama, traje apropriado, horário mais ou menos fixo, quarto escuro, silêncio. Impossível praticá-lo à revelia!
Não, eu não preciso de Freud, mãe-de-santo ou neurologista para entender que a minha insônia é ocasional e não estou com nenhuma doença psicofisiológica grave. Basta um pouco de concentração e daqui a alguns minutos estarei entregue ao espaço paradisíaco do inconsciente. É bem cedo ainda, duas e trinta da manhã, vou aproveitar para colocar o sono em dia. Boa noite, Morfeu!
Trinta e cinco minutos depois... – Morfeu? Morfeu? Que tal um carteado?
Curiosidade:você sabia que Morfeu era o deus dos sonhos e não do sono? Sim, Morfeu é o deus dos sonhos na mitologia grega, no entanto acreditava-se que o deus responsável por fazer as pessoas dormir era Hypnos, deus do sono e pai de Morfeu. Quem promoveu a confusão entre o deus dos sonhos e o deus do sono, que se consagrou popularmente, foi o alemão Friedrich Wilhelm Adam Sertürner, que, em 1803, isolou o alcalóide activo do ópio, chamando-lhe de "Morphium" em alusão a Morfeu, mudando mais tarde para morfina. Assim, a morfina deve o seu nome ao deus dos sonhos Morfeu, visto que induz sonolência e efeitos análogos aos sonhos.
Interessante seria se tivéssemos manuais para relacionamentos. Quantas vezes nos pegamos em dúvidas sobre o caminho a seguir diante de uma situação inusitada. Ouvindo a conversa de um amigo sobre não conseguir se livrar da namorada, coloquei-me no lugar dele e fiz um check list mental dos meus relacionamentos. Acho que não sou a pessoa ideal para dar conselhos sobre esse tema, já que nunca consegui realizar de maneira coerente o término de um namoro. E a única vez que o fiz de maneira clara, o rapaz começou a chorar na minha frente, deixando-me perdida, em pleno barzinho da universidade, com olhares curiosos e insistentes à nossa volta. Eu queria morrer ali mesmo.
Houve uma vez em que terminei o namoro de dois meses por carta, outra em que pedi um tempo (ele está esperando até hoje), também fugi por seis meses de um deles e venci-o no cansaço, e a mais desastrosa de todas: arranjei outro para fazer ciúmes e quase apanhei no meio da rua. Sim, esses relatos servem para ilustrar a complexidade que se desenha diante de um envolvimento amoroso. Nunca saberemos exatamente como o outro reagirá e nem o quanto esse fato afetará a sua vida dali para o futuro. Apesar de não concordar com o “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, essa frase revela certo peso de realidade numa hora dessas, e livrar-se dela pode ser um pesadelo.
Mas, voltando ao amigo, o caso é que ele anda se valendo de estratégias, no mínimo hilárias, para dar desfecho à sua história amorosa. Comprou batom para manchar a própria camisa, criou um fake no Orkut e fica se autoelogiando, anda saindo com os amigos para noitadas e, pasmem, tem usado de toda a sinceridade possível, a ponto de dizer que ela engordou, que o corte de cabelo não ficou bom e que precisa renovar o guarda-roupa. Isso é motivo suficiente para um suicídio feminino. Começo a me perguntar qual dos dois é o mais insano: ela, que finge não perceber o que está acontecendo, ou ele, se derretendo em elogios para si mesmo no Orkut e agindo em desacordo psicológico? A questão é séria, ainda que tenha um fundo de hilaridade que precede qualquer coerência. O provérbio “se não pode com o inimigo, junte-se a ele” é providencial no enredo em questão.
Outro dia, li na coluna do Felipe Machado, no Estadão, uma afirmação da qual discordo em parte. Ele diz: “fim de relacionamento é sempre um assunto traumático, não importa se você está do lado do pé ou do lado da bunda”. Acredito que o lado mais frágil da corda é de quem levou o fora, não há como negar isso. Várias sensações poderão brotar em profusão a partir desse desenlace: humilhação, incompetência, sentimento de rejeição, traumas futuros, depressão e insegurança sobre a própria personalidade. Já o outro, numa ordem inversa de sensações, o máximo que poderá sentir é certo peso de consciência por ser o causador do infortúnio.
E foi assim, em clima de rememoração pessoal e de angústia alheia que aconteceu o que eu temia. Ele me pediu um conselho para dar fim ao seu relacionamento, de preferência, sem grandes traumas ou mágoas à namorada. Apenas respondi: faça isso pessoalmente, sem subterfúgios underground, sem bilhetes de despedida, sem desculpas esfarrapadas. Já dizia Martin Luther King: “o que me preocupa não é o grito dos maus; é o silêncio dos bons”. Silenciar e deixar subentendido o que queremos comunicar é o mesmo que dar uma cartilha a quem não consegue ler. Como eu já disse isso (aqui): “A verdade supera qualquer outra virtude. Dói, machuca como lâmina, fere como fogo, mas é imprescindível quando o assunto é sentimento".
Seguramente, cada um de nós tem a sua coleção de ex-. Vivemos em mutantes acontecimentos, e, bem ou mal, nessa trajetória, envolvemo-nos mais com uns e menos com outros. Os ex-colegas da escola, a ex-turma, os ex-professores, o ex-chefe, podendo evoluir para outros mais próximos: ex-namorado, ex-marido, ex-mulher, enfim. Estamos rodeados de ex-relacionamentos que compõem a nossa vida e nos deixam marcas (boas e ruins) em cada ciclo que fechamos.
Dependendo do grau de proximidade que tivemos com o(a) ex-, certamente, poderá haver, em tempo subsequente, uma tentativa de resgate da história vivida ou, pelo menos, de parte dela. E é exatamente aí que podem surgir alguns erros iminentes, como o confronto entre o que foi um dia e como será agora. Examinam-se as duas situações, a realidade atual de cada um e determinam-se, mesmo que inconscientemente, diferenças e semelhanças naquilo que teve (e ainda pode ter) importância e peso relevantes. Mas será que pode ser do mesmo jeito?
É claro que uma segunda investida em um relacionamento findo pode causar insegurança, ainda mais se levarmos em conta que ambos, ou um dos dois, envolveu-se profundamente com outra pessoa, teve uma história, sofreu mudanças, enrijeceu ou abrandou a personalidade. É possível que, no correr dos dias, haja uma rememoração dos comportamentos antigos e, equivocadamente, inicie-se um processo de busca (emocional e física) daquilo que ainda habita na memória e/ou nos sentidos.
Pode ter certeza, nunca mais será a mesma coisa. Há lacunas que foram preenchidas por outras pessoas e são essas que, no presente, poderão acinzentar o resgate da relação. Haverá jogo de cintura para lidar com as novas situações? Esse novo cenário que se abre é composto por outros personagens e um público desconhecido. As velhas discordâncias causadoras do afastamento podem nem ter mais lugar nesse enredo inusitado. Só os sentimentos permaneceram, a essência, talvez algumas dores e delícias, mas a velha história ficou no passado e não há como ressuscitá-la.
Antes de ser acometido por um surto de impulsividade e mergulhar de cabeça no que já se conhece, seria interessante considerar uma única cláusula para esse tema: o motivo causador da separação. Estaria este cicatrizado? Resolvido? Há expectativa de que haja um novo olhar sobre esse fator preponderante? Por se saber conhecedor do peso de um desconforto emocional vivido com esse alguém, fato é que haja acirrada desconfiança em se envolver por inteiro e incorrer no mesmo erro. Será que estamos prontos para um risco como esse? Acho que sim, desde que não se lapide a memória e nem se desenhe a mesma paisagem para pregar na parede.
Foi a partir de um comentário feito (aqui) pelo meu amigo blogueiro Igor Andréque tive a ideia deste post. Ele disse: "Eu sinceramente não vejo ponto positivo em se apegar a noções relativas e subjetivas como "único amor" ou ainda "feliz para sempre" quando elas servem mais como grilhões. Raul já dizia em "Medo da Chuva" que o estar junto sempre há de ser por escolha e nunca por falta de opção". Não só achei procedente e concordei com as colocações dele, como o convidei para compartilhar comigo deste tema em um post. Aí está, pronto e consonante em ideias e argumentações. Os parágrafos em preto são do Igor, e os em vermelho, são meus.
Todos nós procuramos por alguém, apaixonamo-nos, pensamos ter encontrado o par ideal para dividir conosco todas as histórias que ainda estão por vir. O início de tudo é sempre mágico: há paixão, expectativa, planos, busca, sonho, sorriso. Depois, com o passar do tempo, podemos entrar em outro estágio. O que fazer quando a paixão cede lugar ao comodismo, as expectativas começam a entrar em choque com as do outro? E o que era visível a ollho nu, começa a ficar nebuloso, com nuances de obscuridade.
Aí, exatamente nessa hora, você entra numa fase de tentativa-erro para recuperar aquilo que, por um espaço de tempo, preencheu a sua vida e satisfez os seus ideais de felicidade. A paixão não durará a vida toda, assim como o desejo pelo outro. Então, como resgatar as velhas sensações, a surpresa do abraço, o calor do beijo, a magia do olhar se já conhecemos todas as possíveis reações do nosso parceiro? Dificilmente poderíamos responder a essa pergunta de forma direta. É possível que nem exista uma resposta concreta para a questão. Mas, para chegarmos mais próximos de uma resposta que atenda às nossas expectativas é preciso refletir sobre certos aspectos que tangem o senso comum acerca do que se espera de um relacionamento e que, muitas vezes, não são compatíveis com a saúde do mesmo.
Acredito, por exemplo, que a duração de um relacionamento deveria estar em total acordo com a saúde do mesmo. Ao contrário do que muitos pensam, adoecer uma relação não é tarefa de longo prazo. Pode acontecer em um mês, uma semana, um dia, ou até em uma conversa. Pior ainda: curar as feridas de uma relação doente nem sempre é tarefa que o tempo consegue tirar de letra. E, nesse momento, é preciso cogitar o término, não importa se você tenha cinco anos ou duas semanas de namoro ou casamento.
É claro que o tempo de convivência cria laços fortes como cumplicidade, amizade, sentimento de dependência e até amor, mas o questionamento permanece quando nos deparamos com a ausência das emoções de início. Passamos a encontrar desculpas para o esmaecimento que, a cada dia, fica mais visível e indisfarçável. Apegamo-nos a problemas financeiros, filhos, carreira, doenças e dificilmente encaramos o fato com lucidez, talvez por sermos conhecedores das respostas.
Ora, ninguém se une a outra pessoa intencionando livrar-se dela depois de um tempo, e também não temos bola de cristal para prever que isso poderá acontecer. De repente, perdemos o perfume da flor que murchou em nosso jardim e nos sentimos inodoros para uma nova fragrância. Será que é assim que tudo termina?
Infelizmente, a julgar por um número cada vez maior de casais infelizes tentando levar aos trancos e barrancos um relacionamento fadado ao fracasso, a resposta tende para o “sim”. Porém, como saber se um relacionamento está fadado ao fracasso? É uma pergunta totalmente recorrente, mas extremamente difícil de ser respondida, e deve ser mesmo. É como já diziam nossos pais e avós: o primeiro passo para se superar um erro é admiti-lo.
Acredito que a premissa de um bom relacionamento está na felicidade individual antes de qualquer coisa. É preciso saber exatamente o que esperar da vida e se isso pode ser proporcionado através dos caminhos que se está trilhando. Há de se estar feliz consigo para fazer bem ao outro. E em um relacionamento esta recíproca é verdadeira.
É no dia-a-dia que percebemos que nem toda conquista é doce, saboreada aos poucos como reflexo de algo que deu certo. São as intempéries, os imprevistos, as personalidades destoantes, e o que era fixo e certo, acaba vertendo em dúvidas, colocando um destempero na vida, pairando no ar uma brisa dormente e fria: mergulhamos num abismo psíquico sem saber se o erro está em 'ficar' ou em 'partir'.
Então, é mais do que necessário nesse momento fazermos uma escolha: aceitamos essa vida limitada e entediante entre quatro paredes, com todos os moldes previsíveis, entre lágrimas e desculpas esfarrapadas para nós mesmos, ou vamos à luta, (reconquistamos esse amor se acharmos que vale a pena) ou dobramos a esquina e damos uma nova chance ao acaso.
Essa escolha, definitivamente, não é fácil. Dar as costas para algo que foi construído com dedicação e carinho, sem dúvida, é um ato de coragem. Da mesma forma, acomodar-se em louros murchos de vitórias antigas e fechar os olhos para uma vida que não para de passar diante dos seus olhos é uma atitude covarde e cruel (consigo mesmo e com todos os envolvidos na relação).
Refletir sobre o que precisa ser mudado e traçar possibilidades para tais mudanças (se é que elas existem) de forma honesta,
sem se contentar com os “quase” da vidae expor isso ao parceiro através de um diálogo franco, é uma maneira mais do que suficiente para ter um relacionamento saudável. É o melhor caminho a seguir se você espera perder de uma vez por todas oMedo da Chuva.
Por: Luciana P. e Igor André.
PS: Obrigada, Igor, por ter aceitado o meu convite. Espero que tenhamos outras ideias para compartilharmos aqui no Afrodite ou aí, no seu maravilhoso blog Ordem no Caos.
A gente espera do mundo E o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência...(Lenine)
Que bom seria se a vida fosse sinônimo de conformidade e tolerância. Quem dera fôssemos todos simetricamente moldáveis, adaptáveis, constantes. Não haveria atritos emocionais de nenhuma espécie, tampouco desconfortos comportamentais que podem nos comprometer o presente e o futuro; tudo depende de como conduzimos as nossas histórias, o nível de interesse que temos em cada fragmento e a maturidade que já atingimos. Não existe meio-termo para ordenar as coisas. Elas simplesmente acontecem enquanto o tempo passa, exigindo-nos ação racional e subjetiva, simultaneamente.
Aí está a incógnita: não temos tempo para duplicar atitudes nem entender razões que nos levaram a tomar essa ou aquela decisão. Acho que me perdi nessa evolução e acabei perdendo também a paciência para decifrar determinadas ações e reações que vêm a reboque da minha própria intemperança. Há situações em que não sei se devo agir antes e pensar depois ou o contrário. Onde foi parar a minha languidez para praticar coisas simples como decorar versos de Drummond? Em que gaveta se meteu a minha imaginação que criava lindos textos sobre a primavera? Onde estão os meus defeitos se só falo em perfeição? Perdi a paciência para coisas tolas, sem nexo, e também para excentricidades.
Aprendi tão bem a bloquear os sentimentos para o que soa desnecessário, a pensar rápido acerca de emoções complexas, que a minha verdade da manhã pode já não ter mais a menor importância ao anoitecer. Não tenho paciência nem tempo a perder. Isso tem valido para as novas amizades e os problemas imprevistos... Mas será que isso vale para o amor? E o que dizer do amor nessa hora? Virou um prospecto, não é mais um prognóstico do coração. Viva a solidão! Sou feliz assim! Troco o sorriso de um pelo sorriso de outro, e tanto faz se os sentimentos se tornaram técnicos, eram humanos antes, e daí? Que importância tem se magoei ou dei as costas a alguém? Não vou parar para pensar nisso. Eu suspiro por novas sensações. Eu quero o futuro; o ontem já foi.
Eu tenho pressa! Você tem pressa! Os relacionamentos já não têm mais prazo de validade, nem chegam a envelhecer: podem estar findados agora, exatamente na hora do seu surgimento, no início do seu desenvolvimento. A vida tornou-se uma corrida sempre para a frente, sem curvas nem pausas. As pessoas são supérfluas, substituíveis, descartáveis... Têm outras ali na próxima esquina com outra conversa, novidades, um sorriso mais bonito, uma proposta diferente a nos oferecer. E ainda afirmamos autenticidade a cada ciclo que fechamos. Quanta hipocrisia! Propagamos uma falsa realidade de que estamos bem assim. Precisamos ser rápidos, práticos, insensíveis e intransigentes com quem nos prende pelo braço, exigindo atenção.
É uma coisa meio louca pensar em futuro tendo o presente para viver. Sempre temos a impressão de que estamos nos despedindo de nós mesmos, sem perceber. Éramos sonho, de repente, viramos ilusão; tínhamos planos, viramos arquivo; pensávamos no todo, agora, em partes. E assim vamos vivendo, nos despedindo dos capítulos inacabados, das frases mal proferidas, do silêncio subentendendo um adeus. Vivemos a metade das coisas e nem por isso admitimos que foi falha nossa, sempre munidos de impaciência e destempero, de meia-originalidade e muito superficialismo.
Mas, e se considerarmos que as pessoas são diferentes? Que amam e odeiam de forma desigual? Que agregam valores e atitudes com maior ou menor intensidade? Que visualizam os acontecimentos e as suas consequências de uma maneira antagônica, mas não menos coerente? Nem todos usam a mesma entonação de voz para dizer “eu gosto de você”, tampouco têm a mesma facilidade para decidir o que fazer com os sentimentos mútuos. O tempo de um pode ser inversamente proporcional ao tempo do outro.
Estou mesmo precisando de paciência para enxergar a vida com outros olhos. Quero sentir melhor essa coisa de riso e pranto, afundar-me na minha consciência insana ou desconexa para perceber a sensibilidade de que disponho. Talvez eu esteja precisando de um pequeno ferimento para entender o que é uma grande dor. Gostaria de expor toda a minha fortaleza ou fragilidade em qualquer momento a quem quer que fosse; derramar muitas lágrimas ou simplesmente gargalhar até ficar exausta; deixar cair por terra as máscaras que cobrem os meus pensamentos mais veementes e abandonar de vez o caminho mais curto. Estou precisando de um longo percurso, que me possibilite ver a paisagem, apreciar o horizonte.
Acho mesmo que a vida nos reserva muitas possibilidades. Depende de nós nos abraçarmos a ela com força suficiente para trilhar as veredas destinadas aos nossos pés. Se sairemos incólumes ou com marcas de espinhos, se teremos clarões ou trevas, o que importa é que cheguemos ao final de nossa própria saga com a certeza de que lutamos para encontrar o norte, que nos permitimos interpretar cada linha do que escrevemos. Sem pressa, sem exaspero. Preciso, enfim, de calma para dormir e acordar sem sobressaltos, não me deixar sobrepujar pela ira e, sobretudo, perceber que a vida não é impermeável e que careço de sonhos para torná-la admissível. Talvez, nas entrelinhas, encontrar um jeito auspicioso de ser feliz.
Eu vejo o futuro repetir o passado... (Cazuza)Será? Acho que nem sempre.
Já recebi muitos e-mails de pessoas com as mais variadas histórias amorosas. Todas elas, mesmo tematizando um assunto específico, refletem a dúvida e a insegurança diante do seu relacionamento. Querem encontrar respostas para os conflitos presentes, muitas vezes, olhando para o passado.
O que percebi através desses relatos é o quanto podemos nos tornar reféns da nossa própria história. Ao nos envolvermos com alguém, entramos por um caminho escuro, apalpando as sensações, sem certeza de nada; nem temos noção se o percurso será longo ou ínfimo ou se os sentimentos serão recíprocos. E também não paramos para pensar que eles são mutantes.
Quando uma relação entra em modo off, ou seja, está desgastada, em coma, danificada, ambos ou um dos dois poderá iniciar um processo de “clareamento” das emoções. E é nessa hora que lembrará o antes e depois da sua história amorosa. Tudo era mágico, solto, espontâneo, intenso, e agora a realidade não passa de uma saudosa nostalgia.
Existem pessoas que têm uma dificuldade enorme em separar passado e presente; ficam presas ao que foi um dia e desejam que assim permaneça, mesmo que as circunstâncias tenham modificado os sentimentos, e o tempo tenha desgastado as velhas práticas. É uma impressão mental doente, persistente, enferrujada, de uma morbidez patética.
Li outro dia na coluna do Ivan Martinsuma frase interessante em que ele afirma sofrer de torcicolo existencial: vive olhando pra trás, fascinado e (às vezes) apaixonado pelo passado. E têm pessoas assim aos montes, sofrem da "síndrome da nostalgia". Justificam com a maior facilidade o culto ao passado, como se estivessem impedidas de viver novas emoções em nome do que ficou na memória.
A questão é mais simples do que parece. O bloqueio está em comparar aquilo que era com o que se tem em mãos. Exemplo: "ele é especial", “não existe ninguém como ela”, “ainda temos uma ligação muito forte”, “ele foi o meu único amor”, “não consigo esquecê-la”... Essas frases, afirmadas exaustivamente, soarão como preces aos próprios ouvidos. É quase um ritual proferi-las.
Todos nós somos especiais! Já pensou nisso? Ninguém pode nos superar a ponto de ser mais desejado, amado e cultuado do que nós mesmos. Esse amor obssessivo torna-se um fado, uma melancolia perene, arrastada diariamente em grossas correntes, cheias de espinhos e farpas, dolorosamente incômodas.
Ouvimos, quase que diariamente, falarem em crise: é crise na política, na economia, no casamento. No entanto, "crise" sugere um estado passageiro. Depois da tempestade, sempre vem a calmaria. Cultuar um sentimento amoroso que já não tem mais sustentação é transformá-lo em um trabalho de Sísifo(se é que podemos chamar isso de amor).
O tempo não é estático, as emoções também não. Há que haver, em algum lugar da memória, um espaço para se guardar essa narrativa que já não cabe mais nos capítulos do enredo atual. Se não existe coragem para se jogar fora o que não serve mais, pelo menos que haja discernimento para engavetar aquilo que não é passível de retorno.
Só podemos resgatar sentimentos se ambos estiverem dispostos a “clarear” a realidade de outrora. Qualquer ação (ou esperança) contrária a isso é perder-se em ilusão. É deleitar-se magistralmente na própria sombra. E o tempo passa, a tristeza se instala, a força se esvai, a solidão se solidifica e a vida perde o sentido. Não seria hora de “enterrar” definitivamente o que está findo e substituir o gosto de féu por uma nova iguaria docemente atrativa?
Em se tratando de sexo, nada deve ser ignorado, especialmente a imaginação. Se estamos em um momento direcionado ao prazer, todos os sentidos devem ser explorados. Além do toque, do cheiro, da língua, é fundamental, na hora do sexo, traduzir em gestos ou em palavras quais são as sensações presentes. Quando dois amantes vão para a cama, o mínimo que esperam um do outro é sintonia. Orgasmo também, claro, mas é indispensável que ambos se encaixem de todas as formas, não só em atitudes, mas também na verbalização que poderá surgir naqueles instantes de tensão e tesão no ar.
Sexo é integração
Não é abuso
Não é serviço
Seu corpo forte e bonito
Não é só por isso
Pré-requisito
Pra minha satisfação.
A prática sexual é tão importante num relacionamento que precisa ser bem feita, ou pelo menos, que não deixe marcas traumatizantes na vida de um dos parceiros. Estive conversando com um amigo esta semana, e ele me contou que estava decepcionado, frustrado, aborrecido. Perguntei o porquê, e ele me contou que finalmente tinha transado com a moça dos seus sonhos, por quem andava perdendo o sono de desejo, porém, a coisa não tinha saído como o esperado, tanto que ele, após o encontro sinistro, sumiu da vida dela, desapareceu, escafedeu-se, deu no pé...
Pode ser
Pode ser bom
E pode ser
Pode ser não...
Para uma pessoa curiosa como eu, contar o milagre sem dizer o santo é o mesmo que apontar para o alvo e não atirar. Imediatamente quis saber o que havia acontecido para tê-lo deixado tão frustrado. Foi aí que ele me relatou que, após um breve período de excitação, beijos, toques, adrenalina, enfim, vieram as palavras: ela começou a falar como criança, com voz fininha e dengosa, chamando-o de “meu bebê”. Se para mim foi impossível não cair na gargalhada (com direito a espasmos de risos), imagine para ele, 1,85 de altura, quase 90 quilos e no ápice da atividade sexual. Além de fazer o tipo atlético. Resultado: o tesão foi por água abaixo, e ele não conseguiu continuar no clima que, àquela altura, já havia virado “jardim de infância”.
Carinho é sensação
Não é capricho
Nem desperdício
Mas suas mãos de veludo
Nem sempre dizem tudo
Que meu corpo quer saber.
É preciso ter bom-senso, concordam? Nada pode ser mais frustrante do que estar envolvido, na maior curiosidade em descobrir do parceiro quais são os seus limites (ou a falta deles) e se deparar com uma cena bizarra como esta. Acredito que nenhum homem, com a virilidade a mil, querendo expor toda a sua masculinidade, sinta-se confortável sendo chamado de “bebê”, “anjinho”, “coisinha gostosa”, “bonequinho”, e por aí vai. Isso não combina com o momento nem com a situação. A cumplicidade é de suma importância, afinal, não foi à toa que nos permitimos um relacionamento mais íntimo com a pessoa que nos atrai. Se assim não fosse, a relação sexual não se justificaria. No entanto, é necessário um pouco de perspicácia para adentrar no universo do outro e perceber o que pode lhe apetecer ou não. Individualismo, neste caso, é burrice!
Quando o sexo acaba
Tudo desaba
É uma questão de construção
E o que pode ser bom
Que pode ser bom, sim
Às vezes pode ser que não.
(Sexo, Zélia Duncan)
Sexo é coisa séria, ainda que exija descontração. Um comportamento adulto é o mínimo que se pode esperar do parceiro, o escolhido para dividir instantes únicos e prazerosos. Como haver concentração se, de repente, entrar em desarmonia com a evolução dos acontecimentos? A prática sexual é uma mistura de palavras, imagens, fantasias, variadas formas de expressão corporal, mas nada alienante a ponto de desvirtuar o propósito da busca pelas diferentes formas de prazer. Antes de entrar em sintonia física com alguém seria interessante confirmar se há sintonia metafísica para que não haja frustrações irreversíveis ou sensação de incompletude de ambas as partes.
Há dias que dá vontade de escapulir, sair um pouco de nós mesmos e encontrar subterfúgios que nos tirem da realidade presente e nos coloquem em outro espaço, com enredo destoante, que nos permita o distanciamento das sensações internas para um mergulho nas externas, as de outras pessoas, com olhares próprios sobre as coisas e sobre si.
É interessante mudar o foco e visualizar outras histórias, como conduzem as suas relações, em que elas se diferenciam do nosso modo de pensar e agir, da nossa relação atual. Para isso, nem precisamos cuidar da vida do vizinho, da amiga, do irmão mais velho, de tia "solteirona", basta assistir a um bom filme com enredo romântico e já teremos um belo exemplo da vida sentimental alheia.
O eleito da vez foi "Something's Gotta Give" (Alguém tem que ceder), com Jack Nicholson e Diane Keaton. É o tipo de filme em que se pode analisar várias situações de um relacionamento numa única história. Harry (Jack Nicholson) é um solteirão convicto, que passou por vários romances sem se apegar a nenhum deles. Já está com sessenta anos e continua a ver a vida como uma aventura, haja vista que tem casos com mulheres bem mais jovens. Ao passar por um princípio de infarto, acaba ficando sob os cuidados da mãe da sua última namorada e é com ela que se vê diante de um sentimento ímpar.
É claro, num primeiro momento, ele não admite essa nova sensação, não está acostumado ou não quer aceitá-la. Os dois vivem dias inesquecíveis, mas ao se sentir melhor, volta para casa e dá um tempo no envolvimento com Érika (Diane Keaton), deixando-a confusa, triste, sem ação. Ambos sabem que a história não acabou, pede continuidade, um pouco mais, mas ele tenta se convencer de que foi só mais um caso. E o tempo passa, meses se vão: ela sofrendo e chorando de um lado, ele, confuso e reticente do outro.
Chega o dia em que os dois se encontram (por acaso) no restaurante. Ele está acompanhado de outra mulher, e Érika não consegue se controlar, saindo em disparada. Seguindo um impulso, ele vai atrás, os dois discutem e ela lhe pergunta o que fazer com o que sente por ele, como arrancar aquilo que está ali dentro, sufocando-a. É uma mistura de força e impotência ao mesmo tempo. Um querendo viver as emoções escancaradamente, e o outro, tentando entender o conflito emocional que não é compatível com a liberdade que preconiza, com os princípios racionais que tem para os seus relacionamentos.
Quantas pessoas estão vivendo esse tipo de relação atualmente? Sentem-se atraídas física e emocionalmente, têm sintonia, feeling, mas um desalinho nas atitudes e no comportamento. Lembrei-me, não por acaso, a título ilustrativo, do filósofo Jean Paul Sartre, que manteve um romance de toda uma vida com a escritora Simone de Beauvoir. Nunca se separaram, mas, simultaneamente, cultivavam vários amantes e não se sentiam presos um ao outro pelo compromisso.
Como entender esse tipo de química? Simples! Ambos ou um dos dois não consegue se desprender da própria sombra. É a única companhia que suporta. As outras são apenas temporárias. Quer dizer, dispara-se o gatilho do impulso emocional, mas não se tem coragem de ficar para ver se atingiu o alvo. Falta um olhar mais demorado sobre o que está vivendo com aquela pessoa, se há desejo de continuidade na história, se existe ausência incômoda quando está sozinho e lembranças dos momentos compartilhados com ela.
Para se ter liberdade não é preciso viver só, tampouco negar lealdade a si mesmo pelo que sente. Se o coração está envolvido, não há por que recusar a oportunidade de dividir todas as sensações, comungar dos mesmos aromas, paisagens, aspirações. Se não der certo, pelo menos houve tentativa. E é preciso continuar tentando quantas vezes forem necessárias, mas sempre de forma plena, experimentada, suada, intensa. O maior problema nos relacionamentos é esperar demais do outro. Queremos tudo: prazer, amor, segurança, entrega, sonho, fidelidade e certeza de que será para sempre. Se isso não ficar perceptível, temos receio de avançar o sinal.
Isso é tão irreal quanto acreditar que a felicidade pode ser constante. Não podemos ter certeza de nada, de que vai durar muito tempo ou apenas um mês. Essa mania de idealizar o futuro é o que nos consome e coloca por terra muitas experiências às quais nos impedimos de viver, seja por medo de que o outro não corresponda às expectativas ou de se entregar demais e não ser correspondido. Não há como estabelecer normas e conduta para um relacionamento. O importante é o que se sente e quais as necessidades que essa relação pede. E ela pede! Então, por que não saborear o fruto até fim e ficar com o gosto do sumo na boca? Pode valer a pena!
E se alguém tiver curiosidade de saber como se faz um legítimo "Kir Royal", há um post (dedicado a mim), com a receita dessa bebida. É só clicar (aqui). Obrigada, Jorge! Tim-tim!
É incrível como às vezes o que escrevemos repercute mais do que imaginamos. Há pouco tempo fiz um post sobre “Homens Charmosos” e houve discordância, justamente da ala masculina, em relação aos eleitos da minha lista. Mas, confesso que fiquei curiosa sobre o porquê da divergência de opinião. Não só perguntei a um dos discordantes (o mais enfático de todos), o meu amigo cronista e ex-blogueiro, Dogman, como também o desafiei a fazer uma lista com as mulheres que ele considera mais charmosas. É claro que eu não saberia escolher quais seriam as mulheres com essa condição. Então, aproveitando que ele aceitou o desafio, oportunizo (ainda que através dele) aos homens que participam do Afrodite exporem a sua opinião a respeito das eleitas abaixo.
Foi no dia em que li aquela bizarra lista de “homens charmosos” no Afrodite para Maiores que percebi o quanto as mulheres, no fim das contas, querem sempre o impossível, o inalcançável, o ilusório. Preferem dois Gianecchinis voando a um Eri Johnson na mão. Enxergam apenas os defeitos no coitado que está por perto enquanto suspiram pelas qualidades de galãs de quaresma que nem existem na vida real.
Muito modestamente, ao contrário das mulheres (e de muitos homens), prefiro a simplicidade, tanto em aparência quanto em atitudes. Valorizo a inteligência, a simpatia e o charme, no lugar da beleza, da posição social e dos atributos físicos. Não vejo graça, por exemplo, na Angelina Jolie nem na Beyoncé. E mesmo que ambas se ajoelhassem aos meus pés, implorando por uma noite de sexo selvagem, eu não as comeria.
Para ilustrar minha teoria, sobre a diferença de aspirações entre machos e fêmeas num relacionamento, fiz uma lista das dez mulheres com as quais eu me casaria imediatamente, caso me dessem bola. Tenho certeza de que muitas leitoras do blog pensarão: “nossa, mas que gordinha” ou “que sem sal essa guria” ou, ainda, “até eu sou mais bonita”. Não faz mal, eu tenho o dom: vejo beleza e encanto onde quase ninguém vê.
01.Reneé O’Connor – Atriz da série Xena, a Rainha Guerreira. 02.Emily Rutherford – Atriz da série The New Adventures Of Old Christine. 03.Christina Ricci – Atriz de A Família Adams e Geração Prozac. 04.Vera Farmiga – Atriz de Os Infiltrados e O Menino do Pijama Listrado. 05.Debra Messing – Atriz da série Will & Grace. 06.Michelle Loreto – Moça do tempo do Bom Dia, Brasil. 07.Natália Lage – Atriz de A Grande Família e O Homem do Ano. 08.Renata Maranhão – Apresentadora do Leitura Dinâmica.
09.Joanna de Assis – Repórter de campo do canal SporTV. 10.Vanessa Riche – Apresentadora do SporTV News.
Pronto, agora podem me espinafrar à vontade. Mas desafio cada um(a) a fazer sua lista das dez pessoas famosas com quem se casariam hoje. Quero ver quem vai escolher gente comum, daquelas que podemos encontrar bem parecida no trabalho, na faculdade ou na fila do banco, e quem vai preferir semideuses, do tipo que não lhes dirigiria um olhar, nem por descuido, nas próximas cinco encarnações. Boa sorte.
Hoje o dia esteve cinza em Floripa, e como todos sabem, estou em férias, poucas coisas a fazer, muita preguiça, algumas modificações na casa, enfim, um leve marasmo no ar. E já que o tempo é de relax, preciso estar em sintonia com tudo a minha volta. Nem os textos inconclusos estou conseguindo arrematar. Então, lembrei-me de um post delicioso que li há uns meses, no blog da minha amiga Daniela, que fala justamente sobre os dias cinzentos. Pedi autorização a ela para trazê-lo em parte para cá, anexando também o que penso sobre dias assim. Os parágrafos em preto são dela, e os em vermelho são meus. E não é que ficou um mix legal?
Não é somente o ócio que não me faz bem. Os dias nublados também não. Quando fico sem fazer nada, penso besteiras, fico carente e me apego facilmente às coisas e às pessoas. E incomodo, querendo atenção. Ah, como incomodo! Para que isso não aconteça, eu preciso constantemente de movimento. Se esses dias de ócio forem aliados a dias de chuva, entro em melancolia. Uma tristeza bate em mim e o coração aperta.
Carência não combina com movimento, ela é inerte, pegajosa e repetitiva. É por isso que precisamos nos olhar sempre e observar as nossas atitudes. Se não estamos bem, ninguém à nossa volta estará. Trocar de conversa, inovar o repertório, ler um livro diferente, estreitar laços com novos amigos, dar uma folga aos antigos são boas dicas que quebram o clima pesado e o tornam agradável a todos os que dividem conosco, sejam dias ensolarados ou de tempestade.
Para espantar a tristeza, nada como ouvir músicas que levantem o astral. Aquelas que a gente não consegue ficar parada e – quando escutamos – balançamos nem que seja os pés. É incrível como a melodia de uma música interfere no nosso humor. Há terapeutas que usam a Musicoterapia para tratamento de seus pacientes, tamanha é a eficiência nos resultados. Tempos de chuva deveriam ser acompanhados de música que nos fazem bem. Aliás, a vida deveria ter trilha sonora. Agora, não me perguntem qual seria a minha música-tema, pois não saberia dizer.
Na verdade, a nossa vida é uma junção de músicas, depende do nosso estado de espírito, da história que estamos vivendo, com quem andamos dividindo a maior parte do tempo, se estamos apaixonados ou na fossa total, tudo é uma questão de clima. O que não podemos, em hipótese alguma, é arrastar os outros conosco caso não estejamos bem. O sentido contrário é permitido, pois a energia boa seremos nós. Fazer a diferença de maneira positiva nos credita a sermos pessoas bem quistas.
A trilha sonora para os dias nublados tem que conter We Will Rock You, do Queen (faz um excelente trabalho no humor de qualquer um), Misirlou, de Dick Dale (aquela do filme Pulp Fiction); Satisfaction, do Rolling Stones; as do Village People; Last Night, dos Strokes; Like a Virgin, da Madonna (ela não poderia ficar de fora); Girls Just Want to Have Fun, da Cindy Lauper; e Crazy, do Aerosmith. Para não dizer que não falei das brasileiras, Homem Primata, do Titãs; Não Sei, Nunca Mais Voltar, Cachorro Louco, Gata Maluca, etc. e tal do TNT (acho que quase todas deles); Será e Tempo Perdido, do Legião Urbana; Natasha, do Capital Inicial e assim vai. São músicas que me fazem bem. O engraçado é que a sensação que tenho de ouvir essas músicas brasileiras dos anos 80/90, mesmo não sendo tão alegres (as mensagens de algumas são de nostalgia) são aquelas músicas que adoramos cantar junto nos barezinhos, sorrindo e felizes.
Dias como este são excelentes para colocarmos em prática a nossa criatividade, sem nos deixar influenciar pela ausência do que nos é imprescindível. Como o próprio ditado diz: "um dia nunca é igual ao outro". Vou torcer para que amanhã o sol apareça e eu possa me travestir de luz novamente, mas se isso não acontecer, não tem problema, estarei preparada para pintar o meu quadro com as cores quentes e um leve tom de cinza bem no meio da paisagem, que é para eu lembrar que somos nós que fazemos as coisas acontecerem, independente do que temos à nossa volta.
E se você tiver uma sugestão de música para se ouvir em dias cinzentos, por favor, comente. Quem sabe da próxima vez em que o sol ficar com preguiça de aparecer, eu aproveite para mudar o repertório?
Recebi há quase duas semanas um e-mail com apenas um codinome, nem ao menos sei de onde é essa pessoa, tampouco qualquer identificação que a torne real. Vou, então, aproveitar o tema valendo-me da própria mensagem, na íntegra.
Namorei um cara durante um tempo e agora acabou. Me arrependi por não ter conduzido de maneira correta esse namoro, não sei se por insegurança ou imaturidade de minha parte, não consegui entender o meu papel nessa história. Sei que rompemos. Fiz muitas cobranças por ficar confusa cada vez que ele mencionava as outras mulheres com quem tinha tido relacionamento. A impressão que dava é que elas eram melhores que eu. Será que gostava de mim ou delas? Por que reavivava isso de vez em quando, sempre que eu o surpreendia com uma atitude inesperada, que ele não gostava? Perdi a calma algumas vezes e me arrependi por não ter tido tato pra levar com mais inteligência o meu namoro. Agora ele voltou, convidou-me pra sair e não sei o que fazer. Ainda tem jeito esse caso? Não me sinto segura em investir nessa relação, pois agora tenho medo de me arrepender de tentar de novo algo que não deu certo uma vez. Será que com mais tato e maturidade eu consigo refazer essa história?
Acredito que o reverso da covardia seja mesmo o arrependimento. Se colocarmos ambos na balança será difícil concluir qual das duas atitudes é a menos sensata. A impulsividade (causadora do arrependimento) nos direciona para a frente, sem analisarmos todas as possíveis consequências decorrentes dos nossos atos. Já a covardia nos faz atravancar atitudes que podem nos levar a um caos psicológico, ainda que temporário. E aí vem a dúvida: existe uma segunda alternativa, a de dar certo. Não termos coragem para cumpri-la nos impedirá de descobrir qual seria a real consequência caso tivéssemos priorizado o desejo presente
Difícil seria entender se a moça do e-mail não tivesse ficado confusa diante dos fatos. É claro que o parceiro falar das ex-namoradas várias vezes acabaria nutrindo um desconforto insustentável da outra parte, deixando-a apreensiva e irritada. Ela fala em arrependimento mais de uma vez, tanto por ter perdido o namorado em nome da impaciência e da imaturidade, quanto por temer uma nova tentativa e não obter êxito no resultado. Ora, é claro que não podemos adiar o futuro por covardia, mas é perfeitamente entendível a insegurança diante do que se apresenta na realidade dos dois: ambos estão inseguros, porém por motivos diferentes, daí o receio dela em recomeçar aquilo que já tem marcas, mágoas e dúvidas.
O poeta e filósofo alemão Friedrich Schiller disse: “Breve é a loucura, longo o arrependimento”. Essa frase nos faz refletir sobre o quão perigoso é dar um passo impensado e pagar por ele a curto ou longo prazo, dependendo do peso desse desejo. A maioria das pessoas costuma teorizar sobre essa questão afirmando que "não devemos nos arrepender do que fazemos, mas sim, do que deixamos de fazer". Eu diria que esse jargão mais do que desgastado é uma faca de dois gumes, que pode nos ferir profundamente e nos fazer sangrar desnecessariamente. A moça já passou pelo conflito uma vez e teme repeti-lo, assinando um atestado de incompetente por não satisfazer às expectativas do parceiro. Aí está o foco da questão.
Entender o outro é uma necessidade. Não existe um culpado aqui, mas ela, ao ser comparada com as outras mulheres que ele teve, acabou atribuindo a si a culpa pelo rompimento. Criou um conflito interno que pensa em resolver com o parceiro. Errado! Totalmente errado! O problema não está com ela, mas sim com o desejo dele em querer moldá-la à sua vontade. Não se pode criar uma pessoa que não existe, tampouco orientá-la para que aja de acordo com o que ele espera. Ou temos liberdade para ser quem somos, ou procuramos alguém que nos aceite ao natural, sem máscaras nem cartilha de procedimentos.
Sim, numa relação amorosa, procuramos nos satisfazer mutuamente, quem sabe até melhorarmos um ou outro ponto falho, mas isso não se traduz em abandonar a personalidade em prol de desejos egoístas de uma pessoa, ao que me parece, imatura e despreparada para um relacionamento. É preciso que ambos resolvam as suas questões internas primeiro para depois pensarem em dividir ou compartilhar emoções e comportamentos. Se assim não for, o arrependimento será inevitável, seja por mais uma tentativa frustrada ou por ter deixado de fazê-lo por conta da insegurança precedente.
É muito fácil idealizar uma relação e esperar, de braços cruzados, que ela se desenvolva de acordo com prognósticos mentais ou com o que se tem como prioridade. Um sempre falará mais alto que o outro, um gostará mais de sexo que o outro, ambos podem divergir nos gostos ou preferências culinárias e musicais, mas nada disso é impeditivo para que haja sintonia física e emocional, basta haver sentimento recíproco, verdadeiro. Pessoas que idealizam os seus relacionamentos vão se arrepender, mais cedo ou mais tarde, por terem se colocado acima daquilo que é para ser vivenciado espontaneamente a dois e não diagnosticado por um.
Ao discorrer sobre esse tema, lembrei-me de uma música bem antiga que o meu marido gosta de ouvir de vez em quando, no disco de vinil. Ela se chama “Kayleigh”, da banda inglesa Marillion, e fala justamente sobre os arrependimentos em torno das escolhas que fazemos e de como poderíamos consertar os erros cometidos. Na maioria das vezes, não há tempo para consertos. É melhor deixar como está. Desgastes emocionais não são saudáveis, deixam lembranças ruins e dolorosas. Só o que deixa saudade deve ser revivido, seja de um beijo roubado dentro do carro numa rua deserta, de um abraço aconchegante no sofá da sala, do permanente desejo de olhar o outro nos olhos e sentir uma sensação única, que dispensa palavra e repele explicações. Explicar o quê?
Queridos, voltei! Estava morrendo de saudade do Afrodite, dos blogs amigos e de escrever. A partir de amanhã, volto com as postagens. Mil coisas na cabeça a fervilhar, muitas inspirações, algumas mudanças no blog, enfim, tudo a seu tempo, um pouquinho de cada vez. Beijos a todos, sejam sempre bem-vindos aqui!
"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador (...) O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia." (Martha Medeiros)
Estive pensando hoje sobre o quanto a gente se permite amornar a vida. Quase conseguimos o emprego dos sonhos, faltaram dois pontos para passar naquele concurso, estivemos à beira de cometer uma loucura deliciosa por amor, perdemos três dos cinco quilos em excesso, compramos a casa que era quase igual a que desejávamos, saímos sempre cinco dos dez minutos necessários para não pegar fila no trânsito, demos um "quase perfeito" ao encontro romântico, enfim, aprendemos que quase nada sai como planejamos e nos conformamos com a pilha de frustrações que vamos acumulando nas quatro paredes que dividem conosco alegrias contidas e tristezas camufladas.
O que nos leva a amornar a vida? É tão mais fácil, não é? Ser mais ou menos simpático para evitar falácias, dar um meio sorriso a mostrar indignação, um abraço frouxo, indolente a ter que se justificar pela repulsa que sentimos ao calor do outro. Por que ser inflamado, tenso, exaltado se a serenidade e o equilíbrio são tão mais afáveis? O problema é que essa droga de vida “mais ou menos” aborrece. As pessoas mornas cansam. O amor tépido enjoa. Essa falta de tesão por tudo enfastia.
O ano termina e tudo continua simetricamente inalterado: os dias sem cor, os meses sem brilho, até a forma como damos bom-dia e boa-noite (é exatamente igual). Percebemos também que o sorriso espontâneo deu lugar ao gesto forçado que dói para se desenhar no rosto, mas a gente não se preocupa com isso, pois a pessoa ao nosso lado, por sua vez, nos devolve com a mesma gentileza o desprazer em dividir aquele que foi o lugar de promessas e prazeres.
Quem se deixa entrar nesse processo conhece bem os sintomas de quando as coisas já não têm mais o que amornar. A verdade é que somos permissivos, acabamos deixando de olhar onde estagnamos e passamos a ver somente os defeitos de quem está conosco e, como num mecanismo de autodefesa à própria incapacidade de reação, culpamos ainda mais o outro por nos encontrarmos impedidos de ir em busca de alguém que nos reacenda esse tesão pela vida e por todas as vicissitudes que ela apresenta. Ninguém quer viver sozinho, mas a solidão muitas vezes é maior quando, acompanhados, não nos enxergamos. E como pesa essa amarra que nos aprisiona o corpo e a mente, tornando-nos reféns da nossa própria sorte.
O fato é que nos calamos, chegando ao ponto de não termos mais o que falar; não existe linguagem que esclareça o que está indecifrável. Falta sensibilidade para perceber que nem tudo pode ser resolvido com uma ou duas conversas amistosas, talvez, nessa hora, seja o caso de apagar a luz e sussurrar uma ou duas palavras desconexas no ouvido, apenas para traduzir ou testar o que se sente e deixar aos gestos (que falam a linguagem do prazer) as possíveis respostas para acabar com a mornidão presente.
Mas, contrapondo a minha própria fala, eu não resistiria em levantar a seguinte possibilidade: - E se não estivermos esperando por respostas? E se o desejo interior, ainda que inconsciente, seja sair do tom pastel buscando o desconhecido? Mesmo que isso represente algo misterioso, disforme, obscuro, doloroso, cheio de incoerência e sem garantia de retorno à tepidez. Pode, sim, valer a pena.
Sabe-se lá de que maneira, de repente, a gente sente uma irritação por dentro, bradando por mudança. Talvez seja o caso de desequilibrar a balança e pender para o lado que parece mais atraente, que justifica o dormir e acordar com direito a abrir a janela e observar a paisagem sob outro enfoque, ou quem sabe nem abri-la, dando ao impulso a oportunidade de sair de casa e contemplar a paisagem livremente, com o vento remexendo os cabelos e a chuva fina batendo no rosto a descobrir uma nova face, sem a máscara da embriaguez passiva que nos põe cegos e surdos para os ecos inquietantes e multicoloridos da alma.
Ando mesmo com a garganta seca e as mãos suando frio na expectativa de que algo aconteça, seja um sorriso espontâneo ou uma lágrima pronta para se formar no canto esquerdo do meu olho. Eu preciso de febre, inquietação, de gosto de morango na boca, de uma ou duas aspirações que me puxem para a frente e me permitam olhar para dentro, percebendo até onde posso e quero ir.
Estou exausta de insipidez, falta, ausência, privação, carência. Não há mais tempo para esperar o entorno da estação. Sinto que é iminente me libertar das palavras vazias e da falta do calor que inflama, inebria, deixa o corpo suado de vida, de vontade de aquecer ao sol as cores neutras até enrubescerem. E nesse desespero resignado, adormecido, acabrunhado, que anda em círculos pela sala, eu possa me valer da coragem que anda escondida para, deliberadamente, escancaradamente, olhar-me no espelho e perceber que estou viva.
Queridos, vou viajar com o meu filhote pela manhã e só volto daqui a uns dias. Desconecto-me novamente do mundo virtual, mas não sem antes desejar a todos ótimas festas de final e início de ano e que possamos, em breve, nos encontrar. Beijos a todos!
Hoje o Afrodite para Maiores completa um ano. Parece que faz tanto tempo. Sim, foram trezentos e sessenta e cinco dias on line. E dizer que comecei esta página por impulso, praticamente às vésperas de terminar o ano. A verdade é que muitas coisas na vida começam assim, por impulso. Algumas prosperam, outras declinam e assim vamos reciclando as nossas atividades e sonhos, dependendo sempre do que se apresenta mais convidativo para o momento. No meu caso, sempre me foi atrativo escrever neste blog e continuará sendo. Pesquiso sobre o tema escolhido, leio, concluo, escrevo e conceituo; sem modéstia nenhuma, sei que faço isso bem. Aliás, eu nunca fui modesta, para o desprazer de algumas pessoas que me conhecem, rs.
Mas o fato é que tudo começou mesmo pelo prazer que tenho em escrever, seja o que for, relatos do cotidiano, crônicas ficcionais, contos, poesias que me vêm à mente ou textos temáticos em que sobreponho a razão à emoção e combino palavras que atingem de fato o que quero dizer. Não foi à toa que deletei as outras páginas virtuais que me iniciaram neste mundo interativo; vi-me, de repente, entre o prazer de criar textos literários e a atração irresistível em opinar sobre tudo o que vejo à minha volta, desde uma simples história lida em uma revista de comportamento até a transposição de alguns casos reais que me levam à dissertação-argumentativa.
Percebi, ao longo do tempo, que tinha muito mais facilidade em escrever sobre o cotidiano, numa ótica literal, do que divagar em enredos imaginários que, muitas vezes, foram confundidos por pessoas que estão à minha volta. Ora, quem escreve, não considera, em hipótese alguma, a limitação das palavras. Não há restrição para a arte criativa, caso houvesse, não seria arte. O fato é que optei por manter apenas esta página, a que identifica melhor a minha escrita, que mostra a realidade sem evasivas e me protege de possíveis confusões interpretativas de alguns “curiosos de plantão”. E aqui está o meu blog que, atualmente, interage com muitas pessoas que veem nos conteúdos algo que as leva à reflexão, quer para si ou para alguém próximo.
O meu propósito, desde o início do Afrodite, foi expor temas relevantes do nosso comportamento que, de uma forma ou de outra, evoluem para os relacionamentos com quem dividimos tempo, espaço e emoções. Não temo muito, é verdade, quando quero semear meus pensamentos acerca de um tema mais obsequioso, faço-o e pronto! Porém, penso que é necessário muita argumentação lógica (ainda que inflamada) para afirmar um conceito ou transgredi-lo. Nada aqui é escrito ao sabor do acaso. Há, sim, uma preocupação anterior à subsequente conclusão. A consultoria que prescrevo a quem se manifesta não é diferente. Procuro por à vista algumas diretrizes em torno do problema questionado e deixo a quem é de interesse a possível solução.
Sim, adoro polemizar, sacudir a cadeira, entornar o caldo, exaltar os ânimos e correlacionar temas parônimos. Quero mesmo conduzir o leitor a se manifestar (dentro dos valores próprios) o que pensa, em que discorda e quais as possíveis convergências com o que exponho. É claro, não se pode negar uma ínfima tendência a nuances feministas já que, como sabem, os textos são escritos única e exclusivamente por uma mulher que, numa visão contemporânea procura equilibrar os valores passados às disposições do presente. Porém, as minhas expectativas femininas são as da mulher de hoje, bem mais lúcida, eu diria. É também patente nos meus textos a enfatização em torno das diferenças entre os sexos, o que me parece importante para que entendamos as reações de ambos e possamos tirar melhor proveito nos nossos relacionamentos.
O Afrodite para Maiores não é um blog que fala de sexo. Já esteve em duas revistas encaixado neste tema, mas não é a minha especialidade. Apresento tudo o que se relaciona ao nosso universo comportamental, dentre eles, sexo. Sinto sempre necessidade em esclarecer esse fato. No mais, espero continuar com a mesma disposição para o próximo ano, interagindo com os meus amigos blogueiros, frequentadores assíduos ou esporádicos, mantendo a consultoria e torcendo muito para que eu consiga, neste ano, concretizar o meu sonho de expandir ainda mais as minhas palavras. Beijos a todos, sintam-se à vontade para opinar e sugerir. Sobretudo, sejam sempre bem-vindos ao Afrodite para Maiores.
Queridos, completo hoje o nonagésimo nono post. A meta a que me propus é chegar, no dia 30 de dezembro, ao centésimo, justamente no aniversário do blog. Portanto, depois de uma corrida desenfreada postando diariamente, paro por aqui até o dia 30 para, então, fazer a comemoração do Afrodite para Maiores. Quero, realmente, me desconectar por uns dias. Estou em férias, saindo muito como podem ver, e preciso, neste momento, desligar corpo e mente do mundo virtual, afinal, ninguém é de ferro, rsrsrs. Até lá! Beijos a todos!
Em pleno Natal, depois de duas tentativas frustradas de sair para passear com o meu marido, resolvi fazer uma reflexão acerca do comportamento masculino. Sim, pois nada pode ser mais frustrante do que acordar, tomar banho, convidar o “capadócio” para sair e acabar ouvindo: - Está muito calor, o trânsito deve estar infernal, sobrou comida da ceia, etc. Oh, céus, que falta de perspicácia! Bom, não é à toa que existe a frase: “ócio do Capadócio”. Deve ter sido criada especialmente para os homens. Pior é ter que aturar as trezentas e cinquenta justificativas para ficar em casa. Não, mil vezes não! Não tenho paciência! Nem para a puxação de saco subsequente para acabar com o meu mau-humor (provocado por ele, entenda-se). Alguns homens, depois que se casam, ficam irreconhecíveis. Preguiçosos, mal-humorados, egoístas, desleixados. E digo isso pelo que percebo à minha volta, desde os vizinhos barrigudos, sem camisa e de unhas grandes, com um copo de cerveja na mão a assar o churrasco, até os reclusos que, de sandálias Havaianas e bermuda de gorgurão, se enclausuram dentro de casa a ver filmes e programas humorísticos o final de semana inteiro, como se as únicas coisas da vida (e de um casamento) fossem comer, dormir e discutir a atuação dos seus personagens preferidos. E veja que eu não falei de futebol. Como não perder o tesão, o romantismo que nos é peculiar em casos como esses?
O fato é o seguinte, mesmo as mulheres inteligentes passam dificuldade para entender o cérebro masculino. E depois dizem que elas é que são complicadas. Qualquer dia escrevo um livro sobre isso. No entanto, voltando às inteligentes, acho mesmo que, em se tratando de homem, até elas podem errar nas suas escolhas sentimentais e acabarem optando por um tipo "ogrístico" camuflado de "city man". Mas, uma vez envolvidas, como voltar o filme e desfazer o equívoco? Ainda mais se ele tiver irresistíveis olhos azul-esverdeados e aquela pegada de tirar o fôlego.
A falta de sensibilidade (leia-se: burrice) de alguns é tão incômoda que, outro dia, encontrei-me com uma amiga recém-separada, e ela me contou que está saindo há seis meses com um cara que, além dela, tem um ou dois casos amorosos ativos perdidos por aí. Sabe como é, relações modernas e tal. Ela, então, perguntou a ele (em pleno motel) o porquê desse procedimento. Por que fazia isso com ela e com as outras? Ele, sem entender ou saber o que dizer, coçou a cabeça (a que se equilibra em cima do pescoço) e respondeu: - Eu fiz alguma coisa hoje na cama que você não gostou? Ohhhhh... nocaute técnico. Existem vários tipos de homens, assim como de mulheres, mas o pior tipo masculino é o cara mandão, aquele que fica determinando tudo o que deve ser feito pela mulher. Tem uma impaciência animalesca. Particularmente, conheço alguns com esse predicado e não saberia dizer qual deles é pior. Opinam em tudo na vida de sua mulher, desde a maneira de prender o cabelo até como deve proceder na cama, o que ele não gosta de ouvir e o que não quer responder, enfim. Esse é, incomparavelmente, o representante mais insuportável da “raça”. Porém, pior do que esse espécime, é a mulher que se sujeita a executar as ordens desse ser "superior". Deve ser uma toupeira. Vaquinha de presépio é pouco para diagnosticá-la.
Numa conversa, na galeria, eu, mais três amigas, todas casadas, resolvemos destrinchar a lista de reclamações em relação aos homens. Quilométrica, eu diria. Incrível, só muda de endereço, pois a inoperância masculina converge nos mesmos pontos. E como sempre, tem aquela mais corajosa que, do nada, profere a célebre frase: - Sabem por que vibrador não é melhor do que homem? E todas nós, olhando-a estupefatas, respondemos: - Não! Então ela disse: - Porque não conta piada, não leva pra jantar e não paga a conta. Hahahahaha... Estou rindo até agora. Nada pessoal!
Homem sem inteligência é uma coisa que realmente dá nos nervos, pela simetria com que age. Falta-lhe criatividade e perspicácia. Eu, ontem, no supermercado... Imagine o sufoco, às vésperas do Natal, filas gigantescas. Dois homens à minha frente, um em cada fila (na diagonal) e uma gôndola no meio deles. Os dois estavam mais espremidos que sardinha em lata já que, do lado direito, as outras pessoas precisavam transitar. Imediatamente, removi a gôndola um passo para a frente e adentrei com o meu carrinho para a esquerda, atrás de um deles, deixando a passagem livre para as pessoas. Foi aí que a ficha dos dois caiu e sabe o que eles fizeram? A mesma coisa que eu. Hahahahaha... É por isso que, comprovadamente, a perspicácia feminina é suprema.
É claro que não deve existir nada mais fútil do que mulher com papo vazio sobre a novela das oito ou as promoções das lojas dos shoppings, mas, convenhamos, homens que deixam uma mulher inteligente plantada e muda ao seu lado, no sofá, para assistir a reprise da reprise do seu programa americano de humor é o fim. Ainda mais quando ela tirou uma parte do dia especialmente para visitá-lo na expectativa de que fosse inesquecível. E a única coisa que teve de inesquecível foram as gargalhadas que ele deu das piadinhas dos comediantes. Jesus, me chicoteia se eu estiver exagerando, mas homem assim é castigo para mulher que atirou pedra na cruz.
Mas, voltando aos homens burros, ops, desprovidos de inteligência, e dando um desconto estrondoso a esses que, dependendo do argumento, podem até me convencer do contrário, muitos deles não gostam de mulher inteligente, aquela que pensa de fato, dizem que são prepotentes. Será mesmo? Ou será que ameaçam a pretensa superioridade intelectual masculina? Alguns também não gostam de mulher bem-humorada, pois nunca sabem se ela está sendo divertida ou debochada. Hahahahaha... São tão burros que alimentam muito mais as expectativas da performance feminina na cama do que saber a verdadeira razão de ela estar ali ao seu lado. É como se eles entendessem que a linguagem sexual deve ser interpretada por um e executada por dois, que as suas parceiras ali estão para satisfazer o seu ego machista de garanhão em pleno exercício da função. Definitivamente, mulher de verdade incomoda.
E isso que nem falei dos homens idiotas com critérios superficiais que incentivam mulheres a serem idiotas e superficiais. Mas a cláusula aqui é só uma: enquanto existirem mulheres que se preocupam com a cor da lingerie que vão usar com o seu garanhão, e qual a melhor pose para empinar a bunda existirão homens que continuarão achando que sinônimo de inteligência é saber explicar a elas como funciona a lei do impedimento. A ignorância indômita nos relacionamentos funciona para os dois lados, tudo depende do direcionamento e da importância que se dá à manifestação emocional e intelectual que cada um possui.
Sentada na poltrona e abrindo o livro do Antonio Cury, fecho, com grande adorno, o meu post (um pouquinho feminista) de hoje: “ A vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve". Hahahahaha! Fui!
PS: Antes que eu seja bombardeada pela espécie masculina, que fique claro: isso não é uma generalização, apenas a constatação de casos específicos, rsrsrs.
Por questão de tradição, resolvi fazer um post sobre os planos que traçamos a cada ano que começa. Tenho um texto bem diferente deste, no meu antigo blog, que se chama “O que vou fazer (ou não) em 2009". Embora eu não tenha mudado muito a minha concepção de mundo tampouco tenha alterado a minha personalidade de colérica para bipolar, lendo o que escrevi no blog antigoe comparando com este atual, percebo o quanto somos suscetíveis a mudanças e equívocos. Levando em conta que as previsões melodramáticas que fiz no post anterior não se concretizaram, resolvi, para 2010, traçar, sim, algumas metas que, sinceramente, pretendo realizar.
Traçar planos é comum a quem tem em mente a realização de alguns desejos, sejam eles pessoais ou profissionais. É como se déssemos a nós mesmos uma carta de crédito para, em um tempo hábil, colocarmos em prática todas as nossas aspirações. E nela, sequencialmente, elaborarmos, desde os simples e fugazes, até os mirabolantes (ou secretos) projetos que passam pela nossa mente nas horas mais inesperadas do dia ou da noite.
Não me recordo exatamente por que dei um tom tão dramático às minhas expectativas para 2009, mas isso já não importa, pretendo exorcizar o que me foi incômodo e chegar desta vez no topo da árvore, como eu fazia quando era criança. Na verdade tenho algumas certezas e uma ou duas prioridades para realizar já que, por um motivo ou outro, não me foi possível rabiscar e pintar ao sabor da arte surrelista todos os meus desígnios.
O fato é que tudo fica mais fácil quando damos liberdade ao que vai surgindo e se tornando prioridade. As coisas se alteram, e o que ontem era urgente pode ser irrelevante no dia seguinte. Assim como os gostos, com o passar do tempo, modificam do suave para o acre, do adocicado para o refresh. Também substituímos pessoas e vícios que já não nos atraem com a mesma intensidade. Especialmente, visualizamos, com o passar dos dias, o que nos prejudicou e deve ser jogado no fosso do esquecimento para não mais nos atormentar.
Traçar planos e cumpri-los de fato passa muito pela coragem de defini-los como metas essenciais à nossa vida, e o não cumprimento delas, poderá nos causar uma sensação de vazio e incompetência. Acho mesmo que os meus planos para 2010 não são irrealizáveis tampouco difíceis de acontecerem.
- Quero ter apenas a coragem de aceitar e de recusar desafios que se mostrarem à minha frente,
- Reconhecer quando erro ou que não fiz a escolha certa; - Quero ter a lucidez para enxergar que as pessoas não são iguais e que podem ser boas ou más a ponto de me ferirem profundamente ou me alegrarem com intensidade; - Quero ter a liberdade de avançar ou recuar, tentando sempre acertar o passo para não me arrepender por impulsividade ou omissão.
Mas, principalmente, quero a paz que eu mereço e a tranquilidade que sempre tive. Talvez, com transparência e verdade, eu possa atravessar esse ciclo sem parar no meio, sem hesitar se fui boa o bastante ou ainda posso mais. Talvez eu reafirme o que percebi neste ano, que as pessoas que estão longe de nós, como as virtuais, podem ser melhores e mais verdadeiras do que as que cuidam, bisbilhotam e interferem nos nossos passos, sufocando-nos até quase nos destruir. Essas, com certeza, gostaria que evaporassem como poeira que some de repente para nunca mais. E que o meu mundo virtual continue pleno, divertido, interativo, com tudo o que tem de bom.
Em última análise, amam-se os nossos desejos, e não o objeto desses desejos.( FRIEDRICH NIETZSCHE )
Um dia não é mesmo igual ao outro. Têm dias em que parecemos um manso lago azul, com emoções amenas, sintonizando corpo e mente a tudo o que nos rodeia. Porém, de repente, ocorrem os percalços, os inconvenientes que acabam por nos tirar daquela mansidão espacial e nos colocam em um turbilhão sentimental. Seja pelo motivo que for, em se tratando de relação amorosa, sempre haverá o inconstante, como se não pudéssemos viver em harmonia com quem nos relacionamos.
Turbilhão é o movimento rápido da água em forma de redemoinho gerado no exato encontro de correntes de duas marés. Por analogia, um relacionamento entre duas pessoas nunca está livre de passar por esse fenômeno, que acaba gerando desgaste e posições estanques diante de determinada situação. Bom seria se tivéssemos um antídoto para nos precaver desse fato que mais parece um fantasma cheio de dedos, pronto para nos imergir em águas profundas.
O sentimento entre duas pessoas é complexo e por vezes inexplicável. Quem já não se perguntou por que se sente atraído por alguém que causa desconforto e embaraço? Alguém que desperta sensações ruins, que altera o percurso, que induz à fúria, que desestabiliza o cotidiano e põe por terra a pureza das emoções? Esse alguém é o legítimo portador do amor egoísta, aquele que só consegue contemplar os seus desejos, valendo-se do outro para concretizá-los e não para partilhá-los. Porém, ele é visível, só adentra o turbilhão quem se vê atraído pelo perigo.
O amor egoísta é vantajoso, pois nunca sai chamuscado, tampouco enxerga a fumaça sombria que deixou pelo caminho. Ele busca o próprio prazer e, uma vez satisfeito, desata os vínculos e passa à frente para o próximo desejo que o deixará saciado, completamente embevecido do seu talento em realizar as suas vontades. Eu diria que o portador desse tipo de sentimento é um tipo narcisista, impermeável, sem a menor visão do significado das palavras respeito e honestidade. Sim, quem partilha emoções respeita e é respeitado, é honesto e verdadeiro em tudo o que faz.
É aí que as emoções caem em baixa, e as decepções acontecem. Não existe relação míope, apenas a que não quer enxergar, e nesse processo já entraram vários sentimentos que perdem o sentido diante de uma história em que apenas um dita as regras e conduz o jogo. Ora, por mais simplista que seja a nossa estética de relacionamento, não existe nada de bom para se tirar de quem só consegue visualizar o próprio umbigo e devolver emoções esquálidas, em estado anestésico e entorpecido pelo egoísmo latente que pulsa em todas as suas ações.
Uma pessoa que age de maneira egoísta é incompetente para construir qualquer relação. Pobre de quem cruza o seu caminho estando desprovido, desarmado de algum antídoto que o coloque imune a sentimentos verdadeiros. É claro que nunca devemos fazer projeções para as nossas histórias afetivas, até por que, pode ser que não existam projeções, apenas reciprocidade emocional, porém, desnudar-se a quem não retribui mutualidade é perder-se em um túnel escuro, sem saída onde a única chance é voltar ao caminho de início, não sem antes limpar os pés e retirar os espinhos que ficaram no corpo e no coração.
O amor egoísta não se enrubece diante de uma declaração amorosa, jamais fica extasiado ao ouvir uma frase emotiva e faz questão de denunciar a sua indiferença às sensações alheias. Tem por base o próprio modo de vida para analisar o do outro, não sabe creditar em seu universo mental emoções menores como ternura e carinho gratuitos. Ele é incapaz de equiparar sentimentos alheios aos seus, tendo em vista apenas a sua dor e o seu sofrimento, caso eles existam. Portanto, é preciso lapidar o relacionamento antes de meter o pé direito para dentro do turbilhão.
O amor é um sentimento raro, profundo, o mais puro de todos os sentimentos. Se não fosse assim, não nos perguntaríamos, cada vez que nos envolvemos com alguém, o que estamos sentindo de fato. O que percebemos a cada relacionamento é o quanto é difícil proferir, com toda a certeza, “Eu te amo”! Pode perceber, é a única frase que pensamos antes de falar. É como se ela tivesse um peso grandioso, e a falta de segurança em afirmar essas três palavras nos faz refletir a respeito do quanto tem de verdadeiro e da proporção que elas atingirão.
É muito fácil dizer “Eu te adoro”, “Sou apaixonada(o) por você” ou algo semelhante, mas as três palavras juntas, ditas com veemência, causa-nos certo receio, talvez por temermos a reação do outro e não termos reciprocidade na resposta. O amor é inseguro, apesar de ser denso, intenso, completo. Vejo que as pessoas procuram relutar na demonstração do que sentem por não quererem se expor, evitar uma possível humilhação de ficar no vácuo frente ao objeto amado.
Acho que tive várias paixões e, de todas elas, sempre achei que o que sentia era verdadeiro, mas não. De repente, os sentimentos sumiam, evaporavam, e eu caía na real. Então, comecei a entender que essas paixões efusivas (ou furtivas) têm um prazo de validade, caem por terra, perdem-se no tempo. É meio decepcionante lidar com essas sensações perdidas. A paixão, quando acaba, deixa uma impressão emocional na memória, mas não no coração. É também confuso procurar por aquela profusão sensorial e não encontrar mais nada.
O amor é outra história. Ele tem, por si só, uma gama de raízes e responsabilidades que acabam por torná-lo algo respeitoso, cerimonioso, que exige um tratamento mais apurado e cuidadoso. Até me lembrei do filme “Ghost, do outro lado da Vida” em que o personagem Sam tem dificuldade em retribuir as declarações da sua amada Molly. Ela sempre dizia “Eu te amo” e recebia em troca “Idem”. Isso era uma espécie de ultraje para ela já que procurava o retorno do que tinha necessidade de evidenciar.
Somente após a morte, Sam percebe que a amava de verdade a se arrepende pela falta, mas por que agia assim quando estavam no melhor tempo de convivência? Por que tinha predileção em se sentir acima do ser amado, como se aceitasse o amor e tudo o que ele traz como consequência, mas não se permitia aliar-se, devolvendo a simbologia das três palavras que pesam mais que qualquer demonstração de afeto. Será que ferimos de maneira consciente? É possível calarmos emoções pela própria negação a elas?
O que penso sobre demonstração de sentimentos é muito simples. Uma vez sentidos, nada mais natural, sincero e bonito do que revelar ao outro, em palavras, em gestos e atitudes o quanto essa pessoa é importante e qual é o peso que ela tem. Sentimentos são incondicionais, não se deve esperar nada em troca. E depois, os relacionamentos que desenvolvemos tem trajeto único e incomparável. Não é por que não acertamos o primeiro alvo, que desistiremos de tentar nas tantas outras possibilidades. Se você ama de verdade, diga isso ao seu amor. Não espere que ele procure na escuridão dos seus olhos essas três palavras que resumem as outras mil que as justificam.
E você consegue sentir o amor esta noite? Ele está onde estamos. É o suficiente para este peregrino de olhos abertos, Que tenhamos chegado tão longe.
Homem charmoso é aquele que tem presença onde quer que chegue. O ar altivo e confiante traduz o seu diferencial. Nada de músculos exagerados, corpo torneado ou tipo atlético, ele se faz perceber pelo modo de olhar e pelos gestos que articula. Sabe definir, equilibrar cada ação como se estivesse sempre pronto para conquistar.
Nada pode ser mais encantador que o modo de falar de um homem charmoso: as palavras que escolhe, os gestos que as acompanham, tudo é peculiar, envolvente. É questão de atitude e confiança em si mesmo. Ele, antes, preocupa-se em conquistar do que em ser conquistado. Essa é a jogada! Propõe, convida, instiga, esbanja criatividade. Nada passa despercebido pelos seus olhos atentos e hipnóticos.
Anônimos ou famosos, discretos ou mais sedutores, um homem charmoso não precisa se fazer notar, é visto a distância. Baseada nesta “tese” que fiz sobre os homens charmosos, selecionei abaixo alguns exemplares bem conhecidos que, se na vida real não são esse charme todo, enganam muito bem na ficção. Divirtam-se, meninas!
Como assim, morrer? Pense bem, deveríamos ter dia e hora para morrer: um aviso em sonho, um e-mail, uma carta, um sinal de fumaça, qualquer coisa que nos informasse do sinistro. Passar dessa para melhor de repente? Nem pensar! São oito horas da noite, você chega em casa apressado, finalmente conseguiu marcar aquele encontro com a musa dos seus sonhos mais perversos, corre para o banho e cai duro no banheiro, sem chance ao menos de ligar para dizer que está morrendo, dar um adeus aos parentes, dizer à musa o quanto a desejava (na cama), que ela perdeu a chance da melhor noite de amor da vida dela, enfim, lá está você, estirado no banheiro, um ataque fulminante e ainda pelado, todo torto e com a barba por fazer. Pense no ridículo de quem o encontrar? Patético!
Morrer de repente é tão ridículo que eu encontraria facilmente milhares de razões para solicitar, com um bom número de adeptos, ao Pai Celestial, que repensasse essa questão. E os planos? E as ideias em andamento? Sem contar a rotina: a festa de aniversário marcada para o mês seguinte, os e-mails que não abriu, o livro que ficou pela metade, o beijo que não deu, as desculpas que não pediu, a blusa nova que ainda nem usou, a viagem de férias que seria para daqui a quinze dias, a receita de trufas de chocolate que nem chegou a experimentar, o licor de cerejas que ficará para sempre dentro da cristaleira, o salto de bungee jumping que prometeu aos seus amigos para o próximo fim de semana, o filho que ainda não teve, aquele encontro amoroso daqui a dois dias... Não! Definitivamente, não! Morrer assim é crueldade!
A morte sem aviso prévio, além de ridícula, pode ser hilária, completamente sem-noção. Veja a cena: o cara é totalmente sedentário, adora comer gordura, fuma feito um condenado, passa longe de check-ups anuais, toma um pote de sorvete por semana e morre num domingo à tarde, atropelado, voltando do jogo de futebol. E já que estou inspirada para ridicularizar a morte, imagine uma outra vítima que começa a falar, falar, se engasga, não conclui o que ia dizer e paf! Imaginou? E se esse defunto fresco estivesse, no exato momento do engasgo, conversando com um portador de TOC? Seria uma tragédia, não pela morte, pois o cara já se foi, mas para o pobre portador de TOC que não conseguirá mais se recuperar, pensando na frase que não foi dita, na ideia que não foi concluída, na história que ficou sem final. Caixão para esse também!
Mas entenda, estou falando de uma pessoa que está no auge da vida, com muitas expectativas pela frente e morre de repente. É claro que se o sujeito estiver com mais de noventa anos, será até uma boa para os familiares que ele encontre o descanso eterno, parta dessa para melhor, vista o paletó de madeira, afinal, o camarada já está nos créditos, não é? O corpo já não acompanha a mente, a mente já fugiu da gaveta e as histórias já perderam o nexo de tempo e espaço há anos. O pior é quando se está com tudo em cima, redondinho, estruturado, e você está na melhor fase da vida, tipo, sorrindo para os postes e andando de braço dado com a felicidade. Ah! Não é justo, essa versão da morte é uma transgressão.
Morrer inesperadamente é uma afronta! Precisamos de aviso, é o mínimo mais que merecido. Se temos que morrer, que seja com tudo acordado, afinal, quem é o defunto da história? Por via das dúvidas, se você for azarado, poderá ser o contemplado com esse fatídico, então, é melhor que esteja prevenido caso aconteça o pior de repente, não é mesmo? Arrume regularmente as suas gavetas, deixe as suas contas pagas (para não ser praguejado depois), esteja sempre asseado, abra os seus e-mail pelo menos cinco vezes por dia, leia o livro que começou o mais rápido possível e nunca atravesse a rua sem olhar três vezes para os dois lados (se morrer é inevitável, que não seja atropelado. É muita bizarrice!). Se encontrar alguém especial, vá as vias de fato logo na primeira oportunidade e aproveite bastante. Nunca se sabe o dia de amanhã. Com essas precauções, pelo menos, você morrerá um pouco mais conformado com o irremediável que, mais cedo ou mais tarde, fará parte da história de todos nós. Dominus vobiscum!
Conversando com uma amiga hoje, ela fez um comentário sobre “por que alguns homens somem, de repente”, após um tempo de envolvimento. Na verdade, o que achei interessante foi ela argumentar sobre a quantidade de caraminholas que passa pela cabeça de uma mulher quando isso acontece. São tantas inferências e questionamentos inconclusos que daria uma tese de mestrado sobre o comportamento masculino em tal enredo. Então, ela sugeriu que eu escrevesse um texto sobre isso e tentasse chegar a algumas conclusões, todas hipotéticas, é claro, mas perfeitamente possíveis. Dani, minha amiga insana, lá vai!
Um homem não some da vida de uma mulher sem motivo. Ainda que seja uma boa desculpa, ele terá em mãos, caso precise, uma ou duas razões para justificar o sumiço. Essa atitude é típica em um relacionamento que está ainda no início, sem grandes laços de sentimentos, o que não quer dizer que não tenha havido envolvimento emocional (especialmente da parte dela) que poderá deixar marcas de ressentimento ou frustração.
Toda mulher procura ser perfeita assim que conhece um homem que lhe interessa: fala baixo, é delicada, atenciosa, simpática, envolvente. Tudo é visualizado durante o período de conquista, desde a maneira de se comportar (a sós e em grupo), até o equilíbrio (ou desequilíbrio) de personalidade que transpõe a cada ação que executa. Se as coisas evoluírem positivamente, finda-se o período de estágio e se inicia algo mais sério. Se houver reprovação (leia-se decepção) em algum quesito relevante, ele pode, sim, desaparecer. Eis alguns fatores que podem ser os responsáveis para que ele tome um chá de sumiço de repente:
Ela pegava no pé Este é o motivo mais comum - quando a mulher tem um comportamento pegajoso, insistente, acaba desgastando a relação e a paciência do parceiro. Ele sequer tem coragem de dar um fora decente já que teme a reação dela de não-conformidade. Insistência não é problema, e se for acompanhada de uma chantagenzinha emocional, com algumas lágrimas, será praticamente impossível encerrar o caso. Melhor dar no pé.
Não era boa de cama Depois de alguns encontros amorosos, ele chega à conclusão de que não aprecia transar com uma estátua. Bonita, charmosa e parada. Há homens e homens, mas a maioria deles não têm paciência para ensinar o bê-a-bá na cama que, nesse caso, precisaria de afrodisíaco, manual do Kama Sutra e uma reza forte para transformar a múmia em ninfa. E cadê a coragem de dizer que ela não correspondeu às expectativas sexuais? Aqui, vale até abduzir-se.
Ela queria compromisso Compromisso é uma palavra PROIBIDA para uma mulher nos primeiros meses de relacionamento. Estão apenas se conhecendo, checando as sintonias, discutindo a teoria e “encaixando” a prática. Não se pode falar em assinatura de contrato se ainda estão em fase de testes, não é mesmo? É mais fácil sair de fininho a ter que explicar que as flores, os bombons e os jantares românticos eram parte da conquista, não um pedido de casamento. Então, onde fica a porta?
Ela era explosiva (maluca) Depois do período de encantamento, de todos os beijos e amassos permitidos, a rotina se instaurou e ela começou a mostrar quem era de verdade. Foi assustador presenciar a tantos destemperos emocionais: escândalos por conta de ciúmes, gritos pelo atraso, copo na parede por ser contrariada... Nessa situação, não basta sair da vida dela e trocar a fechadura, é preciso trocar de celular, de endereço, e, se possível, de cidade. Sabe-se lá o que essa mariposa estressada é capaz de fazer? Já ouviu falar em crime passional?
Era uma toupeira Ela era lindíssima e boa de cama, mas muito burra, coitada. É óbvio que um relacionamento não gira só em torno de sexo e diversão. É preciso diálogo, discernimento e uma boa dose de intelecto para que ambos falem a mesma língua. Não há tesão que resista à toupeirice. Imagino como se sentiu o namorado da Jessica Simpson depois de ela proferir a célebre frase: “Eu não sou anoréxica. Eu sou do Texas”! No comment!
Ela era dominadora Em tão pouco tempo de envolvimento e ela já trocou os móveis e as plantas do apartamento de lugar, deu sugestão nas roupas, pegou o carro emprestado, exigiu que só comessem em restaurante vegetariano, não gostava de música alta, sem contar a tentativa de excluir alguns amigos do convívio. Na inutilidade de tentar dar uma explicação para o rompimento já que pessoas dominadoras não ouvem, não há outra alternativa que não evaporar.
E quando eles somem sem motivos aparentes? Aí é que entram as caraminholas inexplicáveis para justificar a partida sorrateira, sem nenhuma palavra, nenhuma queixa, apenas o silêncio. Então, elas se perguntam: - Onde foi que eu errei? Disse alguma coisa que o magoou? Será que arranjou outra? Foi por que engordei dois quilos? A minha conclusão sincera acerca dessa atitude é apenas uma: independente das razões que levam um homem a sumir estando envolvido com uma mulher, um dos dois sentimentos ele deve nutrir por ela: amor ou desprezo.
Bom, como eu tenho uma predileção irresistível por polêmica, vamos a mais uma. Aos homens que lerem este post, servirá para fazerem uma autoanálise e descobrir como está a sua performance no melhor espaço onde dois amantes podem estar.
Um homem bom de cama é aquele que é bom do primeiro ao último toque, que consegue despertar o desejo de uma mulher pela maneira que a olha. Sabe hipnotizá-la, conduzi-la lentamente para grandes momentos de prazer. Ele tem mãos mágicas para explorar cada centímetro do seu corpo, sem se afobar com o próprio tesão. É o tipo de homem, necessariamente, determinado, ousado, viril. Entre sussurros e beijos ele adentra no seu mundo e põe-na em febre, desejando mais, muito mais, a ponto de fazê-la entrar no jogo da sedução, agindo em conjunto, tocando, deslizando, intercalando as ações.
Um homem bom de cama demonstra que gosta do que vê, que aquela é a mulher que o atrai, linda e desejada, que o faz ficar com a respiração ofegante e o corpo suado. Ele sabe ler os gestos que ela traduz e consegue agir de maneira tão intensa que ela responderá aos estímulos com cumplicidade e vontade. Ele aprecia a forma do seu corpo, a temperatura, o cheiro, as palavras desconexas ditas por ela entre os movimentos de ida e vinda. Ele tem equilíbrio para decifrar o momento em que ela pede mais tensão e a hora do êxtase em que ambos se entregam ao prazer absoluto, numa troca rítmica de sensações.
Um homem bom de cama é seguro do que faz e dá segurança à sua parceira ao que ela quer fazer, tanto que não precisa impor as suas vontades, nem pedir que elas sejam satisfeitas. As suas atitudes determinam todo o processo (do antes, durante e depois do sexo). Ele é espontâneo, verdadeiro, sedutor, mergulha por inteiro no que está vivenciando, proporcionando e permitindo-se o prazer, flertando com a imprevisibilidade e com o quanto consegue surpreender, fazendo um convite irresistível para ser surpreendido.
Um homem bom de cama descobre na pele da parceira as suas preferências e permite que ela descubra o que o deixa mais sensível e extasiado, se é o toque, o beijo, as palavras que ela verbaliza em cada ato que se permitem, o trajeto pelo corpo, os gemidos, enfim. Ele a põe livre para enfeitiçá-lo, extravasar a libido e se deixar envolver completamente entregando-se inteira, sem recato, sem neuras, completamente solta para os sabores e odores que uma boa transa pode proporcionar. Ele faz uma noite (ou uma tarde) se tornar inesquecível, deixando a porta aberta para muitas outras de pura sedução.
Finalmente, depois de um tempo, senti curiosidade de assistir à comédia romântica “A Mulher Invisível” que esteve em cartaz alguns meses atrás. Selton Mello está fantástico como sempre. Mas o que chamou a atenção no filme foi a frase proferida pela mulher que abandona o marido, logo no início. Ela, de mala pronta, diz: “Nossa vida é boa, gostosa, tranquila, mas eu preciso de perigo. Mulher, para ser feliz, não pode estar feliz”.
Não sei o que soaria pior se esse fato fosse real: a mulher dizer essa frase, ou a cara de espanto do marido, com flores na mão. Uma série de argumentações caberiam aqui para justificar a atitude da esposa, entretanto, a mais provável é a da monotonia. As mulheres não lidam muito bem com previsibilidade. Daí, serem mais criativas que os homens. Percebeu que são sempre elas que estão inventando alguma maneira de inovar as coisas?
Por mais que os românticos (como o personagem Pedro) discordem, excesso de amor cansa. Refiro-me àquele amor estático, superprotetor, servil. Tudo depende de como se conduz uma relação. Percebo que a maioria dos homens, depois que encontram a mulher que o completa, acabam se acomodando de tal forma que nem parecem mais os mesmos da época de conquista. Estão mais para Rei Arthur do que para Lancelot. Ah, Lancelot, o último cavaleiro! E são poucas as princesas Guineveres que aguentam esse tipo de comportamento paternal. Eu não aguentaria! Para que a chama do desejo permaneça acesa é preciso mostrar-se presente. As mulheres, de um modo geral, estão sempre mudando, seja a parte física, os gostos, as atitudes, tudo enfim. Já os homens, salvo raras exceções, adentram em um mundo singular, sem necessidade de renovação posto que já não visualizam mais a magia do flerte que faz as mãos suarem, o coração disparar, o corpo responder a diferentes estímulos emocionais. Não veem a conquista como algo contínuo e mutante.
Lembrei-me de um livro bastante conhecido que elucida essa questão ainda que sob outro enfoque. “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós foi publicado em 1878 e faz uma análise da pseudoburguesia em todas as suas inferências. Retrata a família perfeita, feliz e acomodada. Tudo corre bem até que surge o inesperado primo na vida de Luísa, a personagem romântica e sonhadora, casada com Jorge, o engenheiro bem sucedido e previsivelmente sistemático.
Luísa vê em Basílio a possibilidade de mudança diante da profunda melancolia em que vive pela frequente ausência do marido. Ela se entrega à paixão fulminante, alucinante, tal qual os romances que lê. Vivencia uma história mental e física de amor, com direito a cartas escancaradamente melosas ao amado. Peca pelo excesso de sentimento e termina refém da própria história sem concretizar o sonho de livrar-se das amarras enfadonhas do casamento para libertar-se em nome do amor.
Sim, sob este prisma, eu diria que as mulheres gostam do perigo, aquele que permite, que se encaixa nas suas fantasias sentimentais. Ela busca, impulsivamente, instintivamente esse “perigo”, mas não sem antes se cercar do que está sentindo de verdade, quais são as suas expectativas e o que lhe falta no enredo atual. De repente, descobre que tudo está ali mesmo à sua volta, só precisa reacender os flashs e criar um novo ato para entrar em cena. Se o personagem ao lado estiver disposto a atuar, os aplausos serão imediatos, caso contrário, ninguém a impedirá de apagar a luz, sair de cena e procurar outro palco.
Já passou pela sua cabeça que as pessoas "intransigentes" podem ser infelizes? Que devem se sentir desajustadas com o meio em que vivem, tendo sérios problemas para interagir de maneira harmoniosa e adequada? Tenho certeza de que você dirá que não. Normalmente não paramos para pensar nos sentimentos alheios, especialmente de pessoas que diferem da maioria. Sim, essas pessoas também são providas de sentimentos tanto quanto você, que se acha normal, dentro de um padrão de comportamento bastante satisfatório.
As pessoas intransigentes são aquelas que apresentam austeridade de caráter, rigidez ou rigor na observância dos fatos. Porém, para a maioria, no cotidiano, são pessoas observadas de lado, com repulsa, desconfiança, como se estivessem sempre prontas a arrumar confusão ou a tecer um comentário inadequado para salientar o desprazer pelos inconvenientes que as envolvem e lhes são incômodos. Engana-se quem acredita que essas pessoas se acham superiores, donas da verdade ou seguras de si. Isso é prepotência, não intransigência!
Orgulhoso, antipático, pedante, mal-humorado... esses são os termos utilizados pelos normais para qualificar os destemperados que, quando munidos de um motivo, intensificam toda a sua força na situação que os desagrada, afastando qualquer chance de entendimento por meios sóbrios. É claro que o diálogo sempre será o melhor caminho para resolver problemas que enveredam para caminhos cruzados, mas nem todas as pessoas têm equilíbrio emocional para contemplar friamente ideias contrárias e decisões que vão de encontro a princípios, metas, expectativas e pontos de vista. Acabam, então, agindo de maneira intempestiva e ganhando o rótulo e o estigma de desajustado.
Mas uma coisa é ser intransigente frente a um fato conflitante, e outra, é agir sempre em desacordo com os demais. Isso não é personalidade, é desvio de conduta. Alguém que se posiciona ao que lhe diz respeito não está errado, mas precisa saber clarificar o seu pensamento para não ser interpretado equivocadamente, nem ter que andar às voltas com justificativas por todas as suas ações e até pensamentos. É impressionante a quantidade de vezes que uma pessoa intransigente tem que se justificar (a mais) se comparada aos outros que, aliás, nem sempre agem de acordo com o esperado.
Ainda que você discorde, a intransigência é coerente. Ela é composta de uma verdade única, racional, argumentada. Não é e nem poderá ser um posicionamento permanente, surge apenas quando necessário. O que ocorre é que a maioria das pessoas, em nome da "paz mundial", ou da própria paz, são extremamente tolerantes frente a erros e despropósitos cometidos pelos que estão no andar de cima. Convenhamos, quem está do lado de cá - via de regra - é cedente, complacente, conivente. Não considero esses atributos superiores aos dos intransigentes que, bem ou mal, expõem o que pensam, não são imparciais e não compactuam com a hipocrisia.
Quando estamos convencidos de que alguém está errado, o que fazer? "Calar e consentir"? Liberdade de pensamento e de ação, em hipótese nenhuma, deve ser confundida com liberdade de errar, ainda mais se esse erro implicar terceiros, que poderão ser prejudicados pelo dito "eu mando, e você obedece". Ser intransigente diante do que o sufoca ou lhe é prejudicial não é feio. Mas não confunda intransigência argumentativa com intolerância e autoritarismo.
Achar que está sempre certo é imprudente, é despropositado. Há que se refletir. Tudo é questão de ação e reação - ouvir e exigir ser ouvido. Diálogo, sim, submissão, não! Se tudo assim fosse, não teríamos tantos mandos e desmandos de pessoas prepotentes que fazem parte do nosso meio, e que, por cedência, nada fazemos para mudar esse quadro de "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Aliás, isso é um dito popular ou o decreto dos covardes para justificar a sua "transigência passiva"?
Segunda-feira! Você acorda e logo fala: - Hoje é um dia como todos os outros! Levanta cedo com cara de anteontem; o domingo acabou, é apenas início de semana e sabe que vai demorar séculos para o próximo fim de semana, arrasta-se até o banheiro (ainda carregando o travesseiro), olha-se no espelho e leva um susto ao ver aquele carão cansado, esgotado, mal-humorado, com olheiras de duas voltas, parecendo um panda e acaba se jogando no chuveiro pra ver se opera um milagre.
Mas, você sabe, no fundo, bem no fundo, que um dia não é igual ao outro. Aliás, o seu dia poderá ser ótimo, ou péssimo, ou muito péssimo. Quer ver?
Será ótimo: se receber uma promoção no trabalho, se conseguir se livrar do vício de roer as unhas (urgh!), se largar o cigarro, se encontrar o amor da sua vida ao dobrar a esquina, se descobrir que a sua vizinha (que ouve pagode) vai se mudar, se ganhar na Mega-Sena, se passar o dia inteiro sem derrubar nem quebrar nada, se encontrar cinqüenta reais esquecidos no bolso da jaqueta, se aquela amiga chata esquecer o encontro no shopping...
Será péssimo: se contar ao seu sobrinho que Papai-Noel não existe e ele abrir o maior berreiro, se descobrir que está sendo traído pelo amor da sua vida (há seis meses), se a sua unha do dedão do pé encravar novamente, se a calça nova que comprou há duas semanas não entrar mais porque você ENGORDOU, se chegar atrasado no trabalho e der de cara com o dono da empresa já de saída, se tomar um banho de lama daquele ônibus que passou a mil, acompanhado de um sorrisinho maroto do motorista pelo retrovisor.
Será muito péssimo: se você perder o pivô da frente bem no meio de uma entrevista para a tv local, se vomitar dentro do carro do seu melhor amigo, se levar um pé-na-bunda exatamente no dia em que está completando um ano de namoro, se pisar no cocô do cachorro com o tênis novinho e só perceber isso quando estiver dentro do consultório médico...Viram? Definitivamente, cada dia pode ser bem diferente para cada um de nós. É só questão de analisar... E aí, quais serão as surpresas que o dia lhe reserva para hoje?
O vídeo abaixo é uma apresentação humorística do "Terça Insana" que acontece toda semana, em São Paulo. Através da personagem Carlota Joaquina, podemos fazer uma viagem através das diferenças semânticas entre Brasil e Portugal. O tema é muito divertido e relevante. Portanto, vamos a ele.
Muitos brasileiros se espantam com o significado que os portugueses dão a certas expressões que são comuns aos dois países. E a recíproca é verdadeira! Os portugueses também demonstram estranheza quanto ao sentido que nós, brasileiros, damos a determinadas palavras e/ou expressões.
O fato de falarmos a mesma língua não reflete exatamente comunhão semântica, já que, por questões histórico-sociais, cada país apresenta as suas peculiaridades. O que para um pode significar um palavrão, para outro é apenas a denominação de algum objeto. E são as palavras que se traduzem pejorativas que causam maior curiosidade aos dois países.
Todos nós conhecemos várias e várias expressões lusitanas com um conceito completamente inverso ao nosso. Porém, há casos interessantes como a palavra "punheta" que, para eles, nada mais é do que um prato de bacalhau cru desfiado, e para nós, bem, isso todos sabem. E se esse prato for acompanhado de "grelo", tanto melhor. Grelo? É apenas broto de vegetais. Com um delicioso "cacete", é claro!
A variante linguística de algumas palavras torna-se motivo de muitas piadas e textos humoríticos que, tanto lá quanto cá, são apreciados pela maioria. O que você diria se alguém lhe dissesse que levou uma "pica" no "cu"? Certamente não diria nada se soubesse que "pica" é sinônimo de injeção e "cu" é nádegas. Natural, ora, pois!
Mas a coisa não para por aí. Tem mais! Qualquer brasileiro acharia estranhíssimo se ouvisse de alguém que ganhou uma "boceta" perfumada de presente. E imediatamente cairia na gargalhada ao descobrir que se trata de uma caixa para guardar objetos, só isso! Essa palavra, aliás, vem do catalão "boixeta".
"Puto", em Portugal, é menino. "Rapariga", é moça. Com tantas diferenças, quem for a Portugal, há que tomar cuidado ao interpretar essas e outras expressões que, para nós, possuem acepção incomensuravelmente distinta dos lusitanos. Desconfio que pouco vá resolver unificarmos a nossa ortografia se a significação de muitos vocábulos diferem consideravelmente. E assim continuará a ser. Não há como nem por que mudar, não concorda, oh, pá?
O motivo que me levou a escrever este texto foi um e-mail que recebi esta semana. O enredo da mensagem é semelhante a um outro e-mail que me foi enviado há um tempo. Ambos solicitaram a minha opinião a respeito: o que fazer diante do desprezo da pessoa amada? Bem, eu penso mais ou menos assim...
Existe um espaço considerável entre as palavras “ódio” e “desprezo”. Odeia-se alguém por vários motivos, dentre eles a traição, o mau-caratismo e o abandono. O ódio é um sentimento que provoca as mais diversas sensações, e, nutridos por ele, somos capazes de pensar ou fazer coisas inexplicáveis, irracionalmente despropositadas, conduzidas pela impulsividade e pelo prazer de ver o nosso objeto de fúria sucumbir. É a partir desse momento, o de atuação, que encontramos (ou não) um inimigo disposto a bater de frente com as nossas transgressões psicológicas. No caso de reciprocidade emocional, o ódio ganha corpo, personalidade, e é alimentado prazerosamente com as mais raras iguarias.
Pense bem, quem odeia não se sente sozinho; terá sempre à sua esquerda, a presença psicológica do seu algoz, pronto para lhe despertar mais e mais sensações negativas por conta de uma trama bem desenvolvida ou mesmo uma discussão inacabada. O que seria melhor? Ter por perto alguém que o odeie ou o despreze? Alguém preocupado em lhe dar o troco pelo último round, maquinando nas noites silenciosas algo para deixá-lo furioso, gastando neurônios para sair vencedor da batalha incansável, em nome de um sentimento reaceso todos os dias ou, simplesmente, alguém que nem se lembra da sua existência?
O desprezo, contrariamente ao ódio, é a falta de sentimento. E a palavra “falta” lembra ausência, neutralidade, insignificância, imparcialidade, desinteresse, negligência, desprendimento, inércia. Esqueci alguma coisa? Isso quer dizer, em vocábulo objetivo que, a partir do momento que se é desprezado por alguém, é como se fosse um amontoado de nada para essa pessoa. É uma forma cruel de punição, seja pelo motivo que for. Ser indiferente a alguém é não ter valor (vivo ou morto), e essa falta de reconhecimento pode gerar algo tão pesaroso que comprometerá o apreço a si mesmo.
Quando os laços de um relacionamento se rompem, geralmente, ficam mágoas, pesos, uma tenra sensação de fracasso e uma preocupação direta em culpar o outro pela morte dos sentimentos bons. Mas ficam lembranças de momentos vividos que, depois de um certo tempo, acabam evoluindo para saudade ou nostalgia. Ser lembrado de vez em quando por alguém com quem se dividiu espaço, suor, lágrima, beijo, raiva, ofensas, é confortador. Sim! Houve troca de emoções recíprocas e energias fluíram por um tempo.
Estar ao lado de alguém que sequer percebe a nossa presença é algo tão inconcebível que desmerece análise. Sabe por quê? Porque não há o que analisar! Como se pode querer fazer colóquios interpretativos em torno do que não existe? O que prende uma pessoa à outra é um aglomerado de composições emocionais que justificam a união. Se isso só está enraizado em uma das partes, não há história, é um espelho sem face. Pode mudar o cabelo, o perfume, viajar para o Nepal, transgredir valores, virar poliglota... a lei da compensação só funciona para casos em que existe autenticidade.
Conversando hoje pela manhã com uma nova amiga, ouvi dela algo muito interessante e que se encaixa perfeitamente para esse enredo. Ela me disse que a avó paterna costuma simplificar os conselhos aos netos com uma única frase: as pessoas fazem aquilo que você permite que elas façam! Bingo! A sábia anciã, no alto de sua vivência filosófica, conseguiu resumir em poucas palavras o que, às vezes, levamos anos para perceber. Se permitimos que os outros adentrem a nossa vida, vasculhem todos os armários, rabisquem os nossos quadros, pensem o que quiserem e desmereçam as nossas qualidades, é porque demos o aval, com assinatura reconhecida e ausência de confronto. Ora, se fomos omissos para mostrar quem somos, por que queremos exigir que os outros nos enxerguem?
Para quem desconhece a etimologia da palavra “feio”, ela vem «do latim foedu- e quer dizer "horrível”. É um vocábulo de sentido tão amplo que dispensa especificidade: o que é feio, é feio e pronto. Assim como não se faz necessário um colóquio acerca do seu antônimo, que é “belo”: o que é belo, é denunciante à primeira vista. E, diga-se de passagem, não aceitamos bem a socialização do feio. Tudo o que apresenta aspecto desagradável, desproporcional, acaba por nos causar repulsa, retração.
Esse paradoxo entre feio e bonito foi motivo de estudo entre cientistas americanos. Eles chegaram à conclusão de que o casamento tem mais chance de dar certo quando a mulher é mais bonita que o homem. Através de entrevistas perceberam que os homens mais bonitos que as suas parceiras estavam menos satisfeitos do que os que eram mais feios. Também ofereciam menos apoio emocional e prático às suas mulheres.
O professor James McNulty, coordenador da pesquisa, afirma que os homens mais bonitos têm maiores possibilidades de envolvimentos de curto prazo, o que os torna menos compromissados com o relacionamento. Esse estudo foi feito pela Universidade do Tennesee e publicado na Revista Científica Journal of Family Psycology. Simples assim, é a lei da oferta e da procura. Se há interesse pelo produto, não há por que não investir, e quanto mais atrativo for o invólucro, maior será a procura.
O nosso conceito de beleza é cultural, já vem de longo tempo e nada fará com que mudemos valores seculares em nome de estereótipos que destoam do padrão. Quem não se lembra do clássico infantil “O Patinho Feio”? A criatura destoante só foi aceita no seu meio depois de se tornar um belo cisne. E “A Bela e a Fera”? Sim, depois de quase morrer de amor pela ausência da sua amada, ela volta e tem como prêmio a transformação do monstro em um belo príncipe. E os dois foram felizes para sempre! Duas versões para um único tema: o belo supera o feio. E isso que eu nem citei o conto contemporâneo Shrek em que a amada Fiona precisa optar pela feiura permanente para ser feliz ao lado do seu horrível ogro. Vejam, até a inversão precisa ser análoga.
Mas por que essa associação do feio com o desinteressante? Voltando aos clássicos infantis, as bruxas eram feias, mas interessantíssimas, além de serem dotadas de poderes fantásticos, já as fadas, apesar de lindas, eram frágeis, delicadas demais, adocicadamente irritantes. Acredito que a nossa visão de “feio” é muito mais ampla do que parece. A fealdade está ligada aos conceitos e às características que apresentamos enquanto pessoas, indivíduos participantes de um espaço social. Se apresentarmos na personalidade simpatia e educação, seremos bem aceitos e admirados, em contrapartida, deselegância e antipatia enfeiam o nosso aspecto e incorrem em reprovação dos demais.
Quer dizer, se formos desprovidos de beleza física, teremos que ser altamente dotados de inteligência, encanto pessoal, simpatia, criatividade e competência para conseguirmos superar os que são apenas belos. As pessoas bonitas precisam simplesmente sorrir para se darem bem na vida. Isso me faz lembrar de um personagem que, além de feio era desinteressante. Quasímodo, o corcunda de Notre Dame, era coxo, deformado e desprovido de inteligência, o que o tornava “desqualificado” para encantar a bela cigana Esmeralda, de beleza ímpar e personalidade rara.
No mesma simetria de pensamento, associo aqui o querido e romântico Cyrano de Bergerac, apaixonado por sua bela Roxana, mas feio e narigudo, aceitou manter em sigilo a autoria dos belíssimos poemas e das cartas que ela pensava serem de Cristiano, o amado que morreu na guerra. Talvez se ele lhe tivesse revelado a sensibilidade poética, o destino fosse outro. Mas não, morreu nos braços da amada sem recitar os melodiosos versos que tão bem combinavam com o seu lirismo apaixonado.
A beleza é, por certo, peça-chave da nossa sociedade. Com pequenas oscilações entre uma e outra visão em torno do conceito de feiura, a maioria opta pelo padrão aceitável de beleza. O feio só é aceito a partir de uma mudança física ou então se for provido de algo que o diferencie dos normais. Mas e o ditado popular “quem ama o feio, bonito lhe parece”? Basta lembrar a fábula portuguesa “A Coruja e a Águia”. Os conceitos já estão ali predeterminados, para que interpretemos que o belo tem valor, e o feio pode ser extinto. Retiro os óculos para as duas interpretações: acredito que tudo depende da visão que estou disposta a dar ao mundo.
Nada melhor do que sair em férias... Quando o dia tão esperado começa a se aproximar, vai dando um friozinho que percorre o corpo todo só de pensar em quanta coisa planejamos fazer, concluir ou iniciar. Sejam trinta dias ou menos, sempre há um pequeno projeto sorrateiro, guardado na mente para essa época mais do que esperada. Desde a arrumação nas gavetas até aquela noitada com os amigos. Uma pequena viagem, ver o dia amanhecer, cantar na chuva como GeneKelly, tudo é bem-vindo, a liberdade está no ar.
Gosto mesmo é dos dias que precedem este período: andamos com leveza pelos corredores do dia-a-dia a cantarolar baladas sem nexo, apenas denunciando o bem-estar; o respirar é ofegante, e o sorriso é maliciosamente providencial. Ora, a rotina sai de cena e entra em foco o inesperado, o desconhecido. Tudo quer se renovar, desde a aparência, até os casos mal resolvidos, pendentes há tempos, encostados à espera de contemporização. Claro, somos resilientes, adaptados às forças das circunstâncias, mas quando nos vemos com o pé no paraíso, abrimos o portão com pressa para respirar o aroma nascente, tenuamente adocicado por dias que prometem, com ou sem maçã.
Mas por que essa euforia? O que queremos compensar? Não sabemos claramente o que buscamos, mas é translúcido o que queremos. A liberdade para massagear a mente, a liberdade para fazer uma incursão intimista e descobrir, de repente, o prazer (de estar vivo), de sentir alegria incondicional, de provocar o contentamento de alguém importante que ali está. É a época ideal para traduzir atitudes e enxergar-se apalpando a vida em singulares emoções.
O dia chega, as expectativas afloram e vão no fluxo dos prospectos que construímos mentalmente. Nada há adiante além dos passos rumo ao imponderável. Serão vários os dias de autonomia e cada um com uma promessa diferente. Ir e vir apenas para onde se tiver vontade, de bermudas e chinelos, sem hora de partida, sem hora de chegada. O trem está logo ali, as janelas estão abertas para a brisa da manhã. Na bagagem, um punhado de possibilidades - misturadas, disformes, coloridas. O rumo é apenas a certeza da viagem.
Os dias passam, realizamos (ou não) as aspirações mentais e eles simplesmente passam. Satisfação? Por certo! Frustação? Alguma! E tudo volta ao normal! O ciclo resoluto e inquestionável de amanhecer e anoitecer, de acordar e dormir, sem pausa para refletir o grau de regozijo que foi conquistado nesses dias encantadores e desoprimidos. Apenas fica a lembrança do que foi (e que vai sumindo no passar das chuvas, no soprar do vento, no cair das folhas amareladas, no entrar da nova estação).
O subseqüente às tão sonhadas férias, é, de fato, vazio e tirano. Vão-se alguns sóis para retomar a vida das mesmas ações, dos sorrisos sem cor, do velho respirar sem descanso. A espontaneidade vai para o fundo da fila e cedemos a vez à objetividade, que combina mais com os corredores simétricos das obrigações. Mas como o importante é ser feliz, que possamos de fato aproveitar, sorridentes e intimistas, esse período de alegria, magia e, indiscutivelmente, de fantasia. A minha já saiu do armário. E a sua?
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre. (Vinícius de Moraes)
Uma vez Renato Russo disse: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". E ele estava certo. Parece que procuramos por ela, buscamos nos becos, atrás das portas, pelos cantos da casa: silêncio e solidão, é tudo o que precisamos. Flores de plástico, quintal sem jardim, bichos de pelúcia e cinema em casa, tudo em nome da solidão. E como é bom conviver apenas com sombras de fantasmas na madrugada insone. Ninguém por perto a nos sondar, questionar, arrancar palavras que não querem dizer, emoções que não querem sentir.
São tantas as pessoas que passaram e passam pela nossa vida, umas em flashs, outras que nos ajudam a escrever umas histórias, e são essas que deixam marcas, sim, deixam marcas de amizade, ressentimento, saudade, emoções em forma de imagens, cor, perfume, gestos, sabor, sentimentos... Cada uma delas deixou algo que lhe é próprio, único, que a caracteriza. Será que aquela carismática falava demais? A extrovertida o deixava tonto? A excêntrica era muito estranha? A intelectual era prepotente? A simplória era vergonhosa? Será que ninguém serviu para compor o seu mundo, a sua vida, o seu cantinho inodoro com flores de plástico?
Sei, a simetria não permitiu que você mudasse a sua vida em nome de um intruso que desvirtuaria o seu cotidiano, trocaria o seu cardápio, plantaria flores no quintal e o forçaria a ir ao cinema na sexta-feira à noite. A sua personalidade seria destruída, esmagada, sugada, reduzida a pó. Como viver sem as noites de insônia, com alguém a lhe perguntar se não vem dormir, com um cãozinho latindo lá fora e aquele perfume cítrico que invade o quarto toda vez que é usado? É tão bom ser insípido, inodoro, inaudível, descompromissado de expor sentimento, de fazer cortesia, ser isento de dar um sorriso, um bom-dia, não é?
Mas e a sinestesia? A exploração dos sentidos dos quais somos dotados? Para que lhe servem os sentidos? Atributos inerentes ao ser humano: a sensação do toque, do cheiro, das palavras sussurradas no ouvido, dos beijos trocados nas noites de inverno, dos olhares que se cruzam em cumplicidade. São momentos em que as energias convergem e transformam o líquido em sólido. São correspondências sensoriais que fazem a vida ter um sabor diferente e nos tornam fortes o suficiente para que percamos o medo de nós mesmos e do colorido do dia, e da música alta, e do cãozinho que late, e das ervas daninhas que precisam sempre ser arrancadas para não extinguirem as flores do quintal.
A verdade é que não conseguimos viver sozinhos, sem um amigo verdadeiro, sem um amor que nos complete. Um amor que nos complete! A ausência dessa ligação nos torna reticentes e arredios. Passamos a ter uma visão ambivalente do mundo, um comportamento obtuso, atitudes vazias e mecânicas. Passamos a não ligar se é cedo ou tarde, se o corpo pede alimento, se a letargia é permanente e já encobriu o sorriso que virou nostalgia. Precisamos de alguém por perto, isso é urgente, para ontem. E sempre haverá alguém. Será que estamos espertos e sensíveis o bastante para perceber?
Permitir-se a uma pessoa é abrir um livro com imensas possibilidades de ilustrações, é fechar um ciclo e iniciar outro. Tudo parece novo! A conversa instigante, o coração inquieto, os braços agitados, as energias fluindo e se expandindo para todos os lados. Que importa se esse alguém é excêntrico ou extrovertido em demasia, se tem manias estranhas ou fala demais, é a pessoa que ali está disposta a fazer parte do seu mundo. Então, permita-se, viva essa companhia: fale, ouça, sorria, chore, extasie-se de todas as sensações. Jogue fora as flores de plástico! Sim, elas não morrem, mas é porque não têm vida.
Certamente, quando se trata de nome próprio, é preciso pensar bem antes de cometer uma atrocidade. Devemos considerar que essa atitude poderá comprometer algo ou alguém para o resto da vida. No caso de uma empresa ou de uma página virtual, o quesito criatividade é de suma importância, porém se a seleção refere-se à pessoa, é necessário ter o mínimo de coerência para não ocasionar traumas futuros àquele que não teve chance de escolha. Qual seria a sua reação se alguém lhe dissesse que se chama “Clarisbadeu” , “Ubsclendes”, “Telésforo”, "Urinoldo" ou “Terebentina”? O riso é inevitável, e a “vítima” acaba por se sentir constrangida cada vez que precisar verbalizar publicamente a esquisitice à qual foi presenteada.
É impressionante a quantidade de nomes “exóticos” que temos por aí, dignos de pertencerem a listas de bizarrices espalhadas por vários sites de humor. E não são só pessoas anônimas que engrossam essas listas dando nomes “diferentes” aos seus rebentos; as ditas celebridades aí estão para provar que gosto não se discute e pronto. É claro que, em se tratando de gente famosa, há certa condescendência ao exagero, incorrendo até em elogio pela “originalidade”. Veja o caso da atriz estadunidense Shannyn Sossam que deu ao bebê o simplório nome de “Audio Science”. Em termos de comparação, “Zabelê”, “Sarah Shiva” e “Nana Shara”, nomes das filhas da nossa querida Baby do Brasil até que ficaram graciosos, vocês não acham?
Ser filho de celebridade é um perigo iminente já ao nascer, pois corre sério risco de não ser apenas um inocente bebê que vem ao mundo, mas sim, o bebê. O casal David e Victoria Beckham que o digam na escolha dos nomes dos moleques “Cruz” e “Brooklyn”. Pelo menos o “Romeo” se salvou. Fico aqui a me perguntar: com tanto nome bonito e interessante, qual é o motivo para tanta discrepância? Será mesmo que é para parecer diferente? É. É claro que é. Celebridade que se preza tem verdadeira ojerija a lugar-comum. Por que registrar um simples John ou Mary se “Moon Unit” (filha de Frank Zappa), “Pilot Inspektor” (filho de Jason Lee) e “Apple” (a maçãzinha da atriz Gwyneth Paltrow) são bem mais sonoros, não é mesmo?
E já que estou falando de originalidade, eu não poderia deixar passar incólume os nomes dos filhos do cantor Michael Jackson: o primeiro chama-se “Prince Michael Jackson”, e o segundo, “Prince Michael Jackson II”. Quer algo mais previsível e sem graça do que isso? Mas a lista de nomes esquisitos não para por aí, o que terá passado pela cabeça do ator Forest Whitaker para dar à filha o nome de “Ocean”. Bom, se considerarmos que ele próprio se chama “Floresta”, nada mais natural que continuar a tradição familiar, não concordam? E já que falei em natureza, Brooke Burke sentenciou as filhas a inofensivas nomenclaturas de "Sierra Sky" (Céu da Serra) e "Heaven Rain" (Chuva do Paraíso) e Nicole Kidman aproveitou o nascimento da filha para colocar a sua criatividade em ação. "Sunday Rose" (Rosa de Domingo) é o nome da sua princesinha.
Saindo do mundo dos famosos e voltando ao nosso mundo real, lembrei-me de alguns casos que cabem aqui ser registrados: a empregada da minha mãe que atendia pelo singelo Bonnicleyde; um rapaz que conheci na adolescência que se chamava “Chanaveco” (sim, ele era complexado e falava muito baixo), e um nome que vi outro dia, no Orkut": Eustorgésilio" (consegue pronunciar?). Ah, mas a melhor de todas é a história de uma moça, coitada, que se chamava “Avagina”. Ao ser perguntada sobre o porquê de tamanha bizarrice na escolha do nome, ela argumentou que foi uma homenagem da sua mãe às atrizes Ava Gardner e Gina Lollobrigida. Francamente, essa matrona que me perdoe, mas merecia morrer. Ou não?
PS: Queridos, por conta da minha cirurgia que será na segunda-feira pela manhã, ficarei "fora do ar" por um ou dois dias. Confesso que estou nervosa, apreensiva, desconfortável, enfim, descobri-me uma bela covarde, rsrsrs. Mas eu volto logo! Espero que tudo dê certo! Beijos a todos!
Luciana P - professora de Português, blogueira e aspirante a escritora; gosta de opinar sobre tudo o que vê à sua volta. É consultora sentimental nas horas vagas e escreve compulsivamente.
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